O ano novo e a vida

O ANO NOVO E A VIDA

O ano novo e a vida

Não é só mais um ano novo: é uma importante oportunidade de reflexão e mudança, nos diz o Padre, filósofo e artista Joacir D’Abadia

Por Joacir d’Abadia

Das frases me chamam a atenção neste dia. São elas: “Feliz Ano Novo” e “valorização da vida”. Essas palavras juntas acusam minha vida de ser muito adolescente para compreender o que realmente faz parte do significado delas.

Agora entendo o porquê de tanta preocupação com a renovação de um ciclo anual e pela atenção à vida. Tudo isso representa muito dinheiro, domínio de poder e cerceamento da liberdade da humanidade. Será que você pensa desta forma também? Estamos vivendo uma guerra de poder mundial contra a humanidade.

Tantas guerras ficam no obscuro da vida da sociedade que tange a liberdade, carcomida pelo desalento, para a solidão de escolhas que visem tão somente o declínio do ser humano. Na contramão desses interesses está o desejo do “novo” que se estampa em nossa história trazendo, infelizmente, a insegurança existencial.

Como o novo nos traz incerteza! Eu estava indo a um almoço de domingo numa fazenda. Não conhecia a estrada, com isso fui com uma insegurança muito grande. Na nossa caminhada de vida não é tão diferente, visto que cada etapa nova nos causa incerteza, pois ficamos inseguros. Com isso o medo também se faz presente nas nossas ações. O novo é um desafio para poder conquistar a cada dia.

Aproveite este “novo normal” para ser uma pessoa consciente de sua importância nesta vida, sabendo que tudo que o Criador faz é perfeito e Ele não tem lhe deixado faltar nada. Assim, não deixe que na sua vida falte a gratidão, pois se hoje nela existe um “Feliz Ano Novo” é porque sua vida não lhe foi tirada. Valorize sua vida neste ano!

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Reprodução: Internet.

Padre Joacir d’Abadia, Filósofo autor de 12 livros – Membro Efetivo da ALANEG-RIDE – Academia de Letras e Artes do Nordeste Goiano e Da Rede Integrada do Desenvolvimento do Entorno. Em breve vai publicar os livros: “O Humano do Padre” e “Aos Cuidados da Sabedoria” / WhatsApp (61) 9 9931-5433.

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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