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Piripiri: O causo da noiva fantasma

Piripiri: O causo da noiva fantasma

Contam os mais velhos, na cidade de Piripiri, que algumas décadas atrás uma moça muito apaixonada foi deflorada pelo rapaz amado, que prometeu que antes que o seu pai descobrisse o ocorrido, casaria com ela…
 
Por José Gil Barbosa Terceiro
 
Fugiriam os dois para casar na Igreja Matriz daquela cidade. Ela deveria esperá-lo na Praça Joaquim Canuto, em frente ao cemitério  Nossa Senhora dos Remédios, onde ele a pegaria de bicicleta para que fossem à igreja casar.
 
No dia combinado para o casamento, a moça, toda vestida de noiva, foi ao local combinado para o encontro, e se pôs a esperar pelo rapaz. Todavia, as horas se passaram e ele nunca apareceu. A moça, então, em um ato de desespero, suicidou-se.
 
O povo da cidade conta que ainda hoje o seu espírito sai do cemitério altas horas da noite e vaga pela praça na esperança de que o amado venha buscá-la. Dizem ainda, que volta e meia, quando um rapaz passa de bicicleta em frente à praça ela pula em suas garupas pensando tratar-se do noivo fujão, e segue com eles até as proximidades da Igreja Matriz, onde ela desce da garupa e desaparece, enquanto o rapaz, assombrado, segue viagem.
 
Uma reportagem de 11 de Janeiro de 2013, no site 180 graus, dá conta de que ela “sai do Cemitério N.Sra dos Remédios (3º cemitério da cidade), na Pça Joaquim Canuto e anda vagando pelas noites, no trecho entre o Curumin (antigo cemitério, o 2º de Piripiri) e o início do canteiro central da Av. Aderson Ferreira. Quem viu, não esquece jamais: é muito pânico. Motociclistas já ‘deram carona’ a ela e quando se dão conta, ela some. Outros já a viram passeando e de repente desaparece. Dizem que é por isso que tem tantos acidentes no ‘corredor da morte’, que, coincidentemente, é o mesmo trecho.”
 
Alguns anos atrás, o Cemitério Nossa Senhora dos Remédios, onde o corpo da moça foi sepultado, foi demolido, e, no local, foi construída a Capela do Mausoléu, onde são velados os defuntos da cidade. O resto do terreno do cemitério foi transformado em um lindo jardim, que circunda a capela. Em memória aos mortos que estão enterrados naquele terreno, a Igreja mandou colocar o nome de todos que ali foram sepultados na parede da capela. Ainda hoje há quem diga que viu a tal assombração ao passar por perto da capela.
 
Assim, se nas horas mortas da noite você passar de bicicleta ou moto pelas proximidades da praça Joaquim Canuto, que fica em próxima da Capela do Mausoléu, em Piripiri, e perceber um peso em sua garupa, pode ter certeza que se trata da NOIVA FANTASMA, o espírito de uma moça abandonada que só encontrará paz no dia em que o amado (ou quem se atreva a substituí-lo) a levar até o altar da Igreja onde deveria se casar.
 
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FONTE: Esta lenda foi encontrada no site Causos Assustadores do  Piauí
 
 
 
Informações de Evonaldo Andrade, intelectual Piripiriense.
 
 
 
ILUSTRAÇÃO: DOUGLAS VIANA
 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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