O LIVRO (23 DE ABRIL - DIA DO LIVRO E DA LEITURA)

O LIVRO (23 DE ABRIL – DIA DO LIVRO E DA LEITURA)

O LIVRO (23 de abril – dia do livro e da leitura)

João Pedro Mésseder

Era um sonho?

Eram lobos, grilos, corvos,

tartarugas, raposões,

bichas de sete cabeças,

unicórnios e dragões,

dromedários e chacais

e outros bichos que tais.

Eram fadas, bruxas, príncipes,

ogres, fantasmas, meninos,

labirintos e palácios,

minas, grutas e florestas.

Eram ilhas e desertos,

cidades do faroeste,

gelos eternos e selvas

e pirâmides do Egipto.

Mas também havia escolas,

casas ricas, bairros pobres,

esquadras, polícias, ladrões

e gente de muitas nações.

Viajei em aviões,

navios e foguetões,

em botas de sete léguas

e tapetes voadores.

Naveguei em caravelas,

desenterrei um tesouro,

naufraguei nos mares do sul,

vi escravos agrilhoados,

lutei com piratas, vilões

entre pragas, maldições.

Vi o Pinóquio e a Alice,

o Polegarzinho, o Ulisses,

o Simbad e o Ali Babá,

Cinderela, Peter Pan,

Iracema e Iratan,

o lindo Palhaço Verde,

a gorda Dona Redonda,

e a fina Salta-Pocinhas.

Vi a Emília e o Visconde,

Dona Benta, Narizinho, Capuchinho e a avozinha,

o Tom Sawyer, o Jim Hawkins

e a muleta de John Silver

Quando o sonho terminou

e as pálpebras abri,

tinha ao meu lado uma estante

com todos os livros que li.

 

Fonte: Mensagem Com Amor

GOSTOU DESTA MATÉRIA? ENTÃO, POR FAVOR, PASSA PRA FRENTE. COMPARTILHE EM TODAS AS SUAS REDES. NÃO CUSTA NADA, É SÓ CLICAR!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

© 2025 Revista Xapuri — Jornalismo Independente, Popular e de Resistência.