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O presidente da piada pronta: Segundo ele seu governo, com 2 ministras em 22 ministérios, é o primeiro com equilíbrio de gênero no Brasil

Presidente diz que  seu governo com 2 ministras em 22 ministérios é o primeiro com equilíbrio de gênero no Brasil

Dos 22 ministérios do atual governo, duas pastas são ocupadas por mulheres: Damares, a que vê Jesus na goiabeira (Família, Mulher e Direitos Humanos), e Tereza Cristina na Agricultura.

Mesmo assim, em cerimônia no Palácio do Planalto para celebrar o 8 de Março, o presidente resolveu fechar o dia com mais uma pataquada. Segundo ele, seu governo é o primeiro com equilíbrio de gênero da História, porque nessa lógica reversa em que vivemos, para ele essas suas mulheres “valem por dez homens.”

No Twitter, o deputado Alessandro Molon (RJ), comentou a piada: “Não é possível, mais uma vez, que o presidente esteja falando sério. Que representatividade é essa? Dizer que o número de ministras e ministras está equilibrado porque as duas mulheres equivalem a dez homens é uma piada de péssimo gosto no Dia Internacional da Mullher.”

Mas não foi só isso. O presidente também resolveu pegar no pé do Banco do Brasil por oferecer aos servidores e servidoras um curso interno sobre diversidade e de de prevenção e combate ao assédio social.

Para o site Catraca Livre, o presidente cometeu um equívoco quanto à finalidade do curso do BB, que afirmou que as questões eram um requisito para passar em um concurso público do banco, sendo que as aulas fazem parte do processo interno de formação e promoção de funcionários. Para quem não sabe, os cursos do BB exigem equidade de gênero, duram menos de uma hora e são feitos por meio da internet, segundo o jornal “O Globo“. O curso aborda também relações de poder do homem sobre a mulher e trabalha para prevenir não apenas assédio sexual no trabalho, além também de violência doméstica, completa o Catraca Livre.

Vej ao que o presidente disse: “Olha só o nível de aparelhamento que existe no Brasil. Isso aqui é processo de educação. Não precisa fazer curso nesse sentido. Nos futuros editais, não teremos mais essa obrigatoriedade. Um conselho que eu dou a vocês é: que se, porventura, alguém que for aprovado no concurso e for exigido esse diploma, você pode entrar na Justiça, que tu vai ganhar (sic). Se bem que eu vou tentar junto ao Banco do Brasil ainda para que se evite isso”, escreveu.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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