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Olhos D`Água: Vida pacata no povoado do Goiás

Olhos DÁgua: Vida pacata no povoado do Goiás

Olhos DÁgua: Vida pacata no povoado do Goiás

Paz, sossego, e mais paz? Em Olhos D´Água, tem de sobra. O que não tem em Olhos D´Água são as amenidades da vida moderna. Caixa eletrônico, cartão de crédito, internet rápida, nada disso tem. Mas sossego tem com gosto nesse  povoado goiano localizado no município de Alexânia, no estado de Goiás,  a poucos quilômetros da estrada que liga Brasília a Goiânia.

Ali rola sempre uma  prosa boa na Praça da Matriz, artesanato pra toda banda – alguns premiados, outros reconhecidos no Brasil e no mundo inteiro, como os de Fatinha Bastos, Lourenço Silva e Maria da Abadia, e carroça “trombando” com carro de turista. Também rola uma  cachacinha boa, das “mió”.

Pra quem viaja na onda da ecologia, tem  um super viveiro do Clube da Semente, e uma imensa variedade de remédios caseiros e pingas curtidas em ervas  no Museu da Raiz, uma portinha simples em frente à Igreja, cheia de anotações pelas paredes, um dos “museus” mais antigos do Planalto Central, segundo sua raizeira, Dona Cecília, a rainha da mistureba.

O rango? Em qualquer beco do povoado, sempre se encontra um “restaurante” oferecendo  comida caseira, feita na hora, ao gosto da tradição e ao tempo do sossego. Variedade pouca, é certo, mas ninguém nem nota ante a criatividade deliciosa e muita, e a oportunidade de consumir o que vem direto da roça, desde o frango caipira até a  cebolinha fresca, colhida ali mesmo, no quintal.

O pouso? Pense  num cama da hora, forrada com uma linda colcha de retalhos, em uma daquelas casas antigas, onde a gente sempre sabe que vai rolar um café no bule, uma broa caseira com geleia de jabuticaba (muitas pousadas também vendem, a preços ótimos)… Ai, que tentação!

Morando em Olhos DÁgua tem pouca gente, cerca de 1 mil almas, diz o Censo do IBGE. Mas, no final de semana, a vila enche de colorido e de gente de toda tribo – artesãos, artistas, intelectuais, ou mesmo de gente que só quer um pouco de paz e uma vida pacata.

Isso quando não é tempo da Feira do Troca, que ocorre no segundo final de semana de junho e dezembro, desde 1974. Aí Olhos D`Água ferve com a presença de mais 10 mil pessoas, que vão pro “Troca” mais por conta da tradição do que da precisão. Mas que, em qualquer tempo, com ou sem “Troca”, sempre volta de Olhos D´Água com mais paz no coração.

Como chegar

De Brasília, é só seguir pela BR-060, rumo Goiânia, até Alexânia, que fica no Km 85. Chegando em Alexânia, entre na Avenida Comercial e vá até o último balão, onde começa a GO-139. Siga por 10 Km até chegar a outro trevo, onde existe uma placa indicando entrada para Olhos D`Água, à esquerda. Daí até o povoado são mais 5 km. Não tem erro

Obs.: publicado originalmente em 12 de abr de 2016


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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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