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“Os Invasores” identifica 42 políticos com fazendas em terras indígenas

“Os Invasores” identifica 42 políticos com fazendas em terras indígenas

Segunda parte do relatório produzido pelo De Olho nos Ruralistas aponta quais políticos tem fazendas nas 1.692 sobreposições identificadas em terras indígenas

Por Portal Vermelho

O dossiê Os Invasores, elaborado pelo observatório De Olho nos Ruralistas, teve a sua segunda parte lançada na semana anterior como continuidade ao primeiro relatório que expõe quem são os empresários brasileiros e estrangeiros com mais sobreposições em terras indígenas.

Nesta segunda parte o documento foca em 42 políticos e seus familiares de primeiro grau que são titulares de fazendas dentro de terras indígenas.

A invasão das terras indígenas é uma ameaça ao direito à terra e à existência dos povos originários. Na primeira parte do relatório já havia sido revelado 1.692 sobreposições de fazendas em terras indígenas.

Como novos destaques, a segunda parte traz:

• Destas [1.692 sobreposições], 42 pertencem a clãs políticos nacionais e regionais. Juntos, eles concentram 96 mil hectares em áreas sobrepostas a TIs (Terras Indígenas);

• Três congressistas possuem fazendas em terras indígenas registradas em nome de empresas ou parentes. São eles: o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) e os deputados Dilceu Sperafico (PP-PR) e Newton Cardoso Júnior (MDB-MG). Os três são membros da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), face institucional da bancada ruralista no Congresso.

• A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) é diretamente financiada por invasores: 18 integrantes da frente receberam R$ 3,6 milhões em doações de campanha de fazendeiros ligados a sobreposições em TIs. Entre os beneficiários figuram o presidente da frente, Pedro Lupion (PP-PR), os vice-presidentes Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) e Evair Vieira de Melo (PP-ES), a coordenadora política Tereza Cristina (PL-MS), ex-ministra da Agricultura, e outros nove diretores.

• Invasores de terras indígenas investiram em peso na candidatura derrotada de Jair Bolsonaro (PL) à reeleição. Juntos, 41 fazendeiros com sobreposições detectadas pelo estudo doaram R$ 1,2 milhão nessa campanha. Entre eles estão mega-empresários do agronegócio e um dos mandantes do Massacre de Caarapó, no Mato Grosso do Sul.

• A família do governador do Paraná Ratinho Júnior (PSD) é dona de um mega-latifúndio no Acre, que incide nos limites da TI Kaxinawá da Praia do Carapanã. Aliados políticos dele e do pai — o apresentador Ratinho — também figuram na lista de sobreposições.

• Palco do Leilão da Resistência e berço da CPI do Incra e da Funai, o Mato Grosso do Sul é peça central no tabuleiro das sobreposições. Os filhos do ex-governador Pedro Pedrossian, o deputado Zé Teixeira (PSDB), o ex-secretário Ricardo Bacha (Cidadania) e a advogada Luana Ruiz — com trânsito livre na FPA — protagonizam conflitos territoriais com os povos Guarani Kaiowá e Terena.

• Cinco municípios brasileiros são comandados por prefeitos ligados à sobreposição de TIs. Os prefeitos de Linhares (ES), Tapurah (MT) e Sapezal (MT) e os vice-prefeitos de Campos de Júlio (MT) e Iguatemi (MS) estão ligados a fazendas incidentes em territórios indígenas — diretamente ou por meio de familiares. Vinte e três ex-prefeitos também têm sobreposições em terras indígenas.

Para a Agência Brasil, o coordenador de projetos do observatório, Bruno Bassi, identifica que os atores que protagonizam a prática ilegal e que ameaçam os povos indígenas são tanto políticos como pessoas com poder aquisitivo.

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“O avanço do território, sobretudo do agronegócio, sobre territórios indígenas ou reivindicados pelos povos indígenas é promovido, de um lado, pelo capital, pelas grandes empresas e corporações, por multinacionais, grandes empresários, e tem uma interface política, que abarca desde a posse direta por pessoas que se envolvem nesse universo político. A gente tem governador, deputados federais, um senador, cinco prefeitos e vice-prefeitos com mandato atual e 23 ex-prefeitos, o que demonstra o tamanho dessa esfera municipal, do poder local, na posse de terras. A gente tem deputados estaduais”, diz.

Confira aqui a parte dois do relatório “Os Invasores: parlamentares e seus financiadores possuem fazendas sobrepostas a terras indígenas”.

*Com informações Agência Brasil e De Olho nos Ruralistas.

Fonte: Portal Vermelho Capa: Ibama


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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