Pandora Papers e resumo da ópera

Pandora Papers e resumo da ópera

Resumo da ópera: as duas principais autoridades monetárias, econômicas e fazendárias do País, responsáveis pelas políticas fiscais, a estabilidade da moeda, o equilíbrio do câmbio, o controle das remessas de lucros, pelo crescimento da economia e o combate à inflação, a resguardar o papel e a diferença de cada cargo, possuem contas em paraísos fiscais.
Por Davis Sena Filho/brasil247
Nessas offshores, onde se lava também dinheiro sujo, inclusive o proveniente da corrupção, não se paga impostos, escamoteam fortunas, sendo que rotineiramente milionários de vários ramos e atividades e autoridades do mundo inteiro sonegam impostos e fazem remessas ilegais de dinheiro. São, na verdade, grandes quantidades de dinheiro não fiscalizadas e contabilizadas pelos governos, apesar de dizerem que offshores são legais etc… Blá blá blá…

Um se chama Paulo Guedes, ministro da Economia; o outro atende pelo nome de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central. 

Cadê o Grupo Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Veja e cia, com suas matérias e opiniões tendenciosas, manipuladoras e mentirosas, a fazerem o verdadeiro, o autêntico e genuíno jornalismo de guerra e de esgoto? Escafederam-se! E esses caras enriquecem há séculos com a tragédia brasileira, retratada no abandono e descaso do Estado burguês e na pobreza e miséria. 

Ah, se fosse o Lula, a Dilma e o PT… A essas horas estariam a comer fogo e durante dias seriam chamados de ladrões e corruptos pelos verdadeiros ladrões e corruptos, como aconteceu em passado mais do que recente. Vamos ver se os filhos diletos da casa grande escravocrata vão para a cadeia ou pelo menos caem do poder, pois nem no inferno se aturaria tanta falta de vergonha na cara e vocação para a vilania, a criminalidade e a Pandora Papers. É isso aí.
Davis Sena Filho é editor do blog Palavra Livre


 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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