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Papai Noel é negro: ‘é da minha cor’!

Papai Noel é negro: ‘é da minha cor’!

Menina se emociona ao ver Papai Noel negro: ‘é da minha cor’

Se você acha que representatividade não importa, é porque não conhece a pequena Joelma

Por: Redação

 

Se você acha que representatividade não importa, deveria parar tudo o que está fazendo para ler esta notícia.

Aos 9 anos de idade, Joelma Dias se deparou pela primeira vez com um Papai Noel negro em um shopping de Salvador, na Bahia. Ela parou para tirar fotos e bateu o maior papo com o bom velhinho.

Em entrevista ao portal BHAZ, a pequena conta que ver um Papai Noel da mesma cor que a dela foi algo especial. “Olha, eu achei muito divertido, bem diferente. Ele é muito parecido comigo, é da minha cor! Gostaria que os Papais Noéis fossem todos assim, achei legal demais”, conta Joelma.

A empolgação com o momento foi tamanha que ela não queria mais sair. “Tirei muitas fotos com ele, quero ir lá de novo. Perguntei pra ele se tinha recebido minha cartinha. Quero uma boneca LOL negra, com os cabelos cacheados iguais aos meus”, conta a menina, que volta a reforçar a importância da representatividade. “Esse é o primeiro Papai Noel que eu vejo que é escuro, que é da minha da cor”, completa.

“Esse é o primeiro Papai Noel que eu vejo que é escuro, que é da minha da cor”.

 

papai noel negro

 
Crédito: Reprodução. Menina se emociona ao se deparar com Papai Noel negro: “é da minha cor”
 
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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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