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Picada de aranha: Viagra natural?

Picada de aranha: Viagra natural?

A picada da aranha Phoneutria nigriventer,  popularmente conhecida como aranha armadeira, é venenosa, produz dores terríveis e leva a maioria de suas vítimas ao hospital.

Em certas áreas rurais do Brasil, seres humanos do sexo masculino picados pelo aracnídeo são rapidamente identificados nas Emergências dos hospitais por apresentar um sintoma “secundário”.

Pessoas picadas pela aranha armadeira sentem um súbito aumento da  pressão arterial e, nos homens, além da dor, também ocasionam ereções que podem  durar até quatro horas.

Segundo cientistas, a ereção no homem é estimulada pela produção da substância bioquímica conhecida como ácido nítrico.  Liberado por neurônios, o ácido nítrico desencadeia um processo de dilação dos vasos sanguíneos do órgão genital masculino.

A maioria dos medicamentos contra a disfunção eréctil age contra substâncias químicas que inibem ereções;  o veneno de aranha age de forma diferente, aumentando a produção de óxido nítrico na corrente sanguínea, e isso é o que ocasiona a ereção.

Por essa razão, pesquisadores acreditam que o estudo das toxinas da aranha armadeira podem resultar em medicamentos mais potentes e mais efetivos para combater a disfunção erétil.

ANOTE AÍ:
  • O Brasil e a Austrália são os países que abrigam o maior número de aranhas venenosas do mundo.
  • As aranhas armadeiras, extremamente comuns em todos os biomas brasileiros, são consideras as aranhas mais venenosas e fatais da Terra, segundo o Guinness.
  • As armadeiras têm em média um corpo de 5 centímetros e patas de até 17 centímetros. O veneno que carregam em suas patas é letal para pequenos animais. Com 0,006 mg desse veneno se mata um rato.
  • A aranha armadeira é uma das que mais causa acidentes no Brasil, ficando atrás apenas da aranha-marrom.
  • Existe registo de mais de 7 mil casos de picadas de aranhas-armadeiras no Brasil, felizmente com poucas mortes, porque há antídotos eficientes para o tratamento de suas picadas. (Fonte: http://www.megacurioso.com.br)

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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