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Planeta chega à sobrecarga de recursos naturais neste 1º de agosto

Dia da Sobrecarga da Terra: recursos naturais do planeta para 2018 se esgotam neste 1º de agosto!

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Imagens: JD Hancock/Creative Commons/Flickr e divulgação Global Network Footprint

 

Imagine que você fez todas as compras de mercado para o ano e agora, neste 1de agosto, tudo já tivesse acabado. A analogia é para explicar o que está acontecendo com os recursos naturais da Terra. Já usamos nestes últimos sete meses de 2018  – e com cinco ainda faltando para terminar o ano -, toda a água, energia, minerais e vegetais que o planeta tem capacidade para produzir e ser utilizado no período de 365 dias. Ou seja, este ano, estouramos nosso orçamento de recursos naturais disponível e agora estamos no vermelho!

Em nosso ritmo atual de consumo e estilo de vida, precisaríamos ter 1,7 planeta para atender às nossas necessidades. É o isso o que revela o Dia da Sobrecarga da Terra (Earth Overshoot Day, em inglês), calculado desde 1969 pela organização internacional sem fins lucrativos Global Footprint Network (GFN).

Foram analisadas também as pegadas de  de países separadamente. Nesta conta entram “gastos ecológicos” como , sobrepesca, escassez de água doce, , erosão do solo, perda de e acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera.

No caso do , mais especificamente, como você confere na ilustração abaixo, já estouramos nosso limite ainda antes: no dia 19 de julho!

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Nestes quase 50 anos de cálculos, 2018 é o ano em que o Dia da Sobrecarga da Terra chega mais cedo. Em 2017, a data foi em 2 de agosto, em 2016, dia 8. No ano anterior, 13, em 2014, 19 e em 2013, 20.

Um dado assustador é comparar quando o Dia da Sobrecarga da Terra caiu em décadas passadas. Em 1971, foi no dia 21 de dezembro. Desde então, todos os anos, ele chega antes. Ou seja, a cada ano que passa, todos nós – os seres humanos – estamos explorando os recursos naturais do planeta com mais voracidade e sem dar tempo para a Terra recompô-los.

“O Dia da Sobrecarga da Terra pode não apresentar diferenças em relação a ontem – você ainda tem a mesma comida em sua geladeira”, diz Mathis Wackernagel, CEO da Global Footprint Network e co-criador da Pegada Ecológica. “Mas, os incêndios estão ocorrendo no oeste dos Estados Unidos. Do outro lado do mundo, os moradores da Cidade do Cabo tiveram que reduzir pela metade o consumo de água desde 2015. Essas são consequências de estourar o orçamento ecológico do nosso único planeta”.

Os valores utilizados para calcular o Dia da Sobrecarga da Terra são obtidos a partir da comparação do consumo total da humanidade por ano (pegada ecológica) com a capacidade do planeta em regenerar os recursos naturais renováveis por ano (biocapacidade). Para este cálculo, são usadas estatísticas das Nações Unidas.

Para marcar a data, a Global Footprint Network, junto a parceiros, como o WWF Internacional, marcarão o Dia da Sobrecarga da Terra com diversas atividades em todo o mundo, incluindo no Brasil.

No Rio de Janeiro, o Museu do Amanhã fará uma exibição especial de “Sob a Pata do Boi“, um documentário sobre a invasão de gado na , mas que já está com as vagas esgotadas.

Imagens: JD Hancock/Creative Commons/Flickr e divulgação Global Network Footprint

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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