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Por uma política nacional

Por uma política nacional para os ecossistemas de montanhas

Por uma política nacional para os ecossistemas de montanhas. 16% do território brasileiro, ou cerca de 1,4 milhão de km², está em regiões acima de 600 metros de altitude.

Por Aldem Bourscheit/ O Eco

Propostas para criar e aprimorar políticas públicas federais podem ser enviadas ao governo até meados deste julho. Uma das mais de 6 mil ideias já apresentadas pede uma Política Nacional para os Ecossistemas de Montanha.

A sugestão de Luiz Felipe César, diretor-executivo da ong Crescente Fértil, quer garantir a proteção da “biodiversidade e sustentabilidade socioambiental” para essas formações.

Segundo ele, as montanhas alimentam bacias hidrográficas, proveem serviços ecossistêmicos de regulação hídrica e climática, e, pela variação de altitude, têm elevado grau de diversidade biológica e paisagística. 

“No entanto, são ambientes altamente vulneráveis aos impactos dos extremos climáticos e sofrem destruição com exploração mineral e ocupação desordenada”, destaca Felipe César.

No Brasil, 16% do território estão em regiões com ao menos 600 metros de altitude, ou cerca de 1,4 milhão de km2. A área é maior que a do estado do Pará ou que a do vizinho Peru.

Nossos pontos mais altos são o Pico da Neblina (2.995 m) e o Pico 31 de Março (2.974 m), ambos na Serra do Imeri, no estado do Amazonas. A região é junto à fronteira com a Venezuela.

As Nações Unidas indicam que as montanhas cobrem 1/4 do território do planeta, abrigam a maior parte dos centros de biodiversidade e fornecem água doce a aproximadamente metade da humanidade. 

Todavia, a crise global do clima está aumentando as temperaturas médias e forçando vida selvagem e variadas culturas humanas adaptadas à vida nas montanhas a se adaptar ou migrar.

Aldem Bourscheit – Jornalista. Fonte: O Eco. Foto: Nico Cavalcanti/Creativecommons. Este artigo não representa a opinião da Revista e é de responsabilidade do autor.

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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