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Santa Dulce dos Pobres, o anjo bom da Bahia: Deus lhe pague!

Santa Dulce dos Pobres, o anjo bom da Bahia: Deus lhe pague!

“Miséria é a falta de amor entre os homens.”

Por Iêda Vilas-Bôas 

Todo bom brasileiro e todo baiano, que seja do Pelourinho, do Subúrbio, dos bairros nobres ou do longínquo Boca de Galinha em Plataforma ou nas cidadezinhas do interior, certamente já ouviu falar nela e tem veneração por essa pessoa que simboliza a caridade e a doação aos mais necessitados. É assim que Irmã Dulce é conhecida: o Anjo Bom da Bahia! O ablativo foi bem colocado e merecido. Irmã Dulce é a nossa versão da Madre Teresa de Calcutá.

E não há evangélico, kardecista, umbandista, candomblecista, agnóstico, ateu, filho ou filha de santo, mãe ou pai de terreiro que não reconheça a grandiosidade dessa mulher. Por isso, neste mês das mulheres e mês de aniversário de sua morte, faço, em forma de texto, minha humilde louvação: A benção, Irmã Dulce!

Conhecida pela graça de Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes nasceu na capital Salvador em 26 de maio de 1914 e faleceu, também na capital baiana, em 13 de março de 1992.  Do nome recebido em pia batismal e na certidão não restaram tantas lembranças, mas enorme ficou a fama de Irmã Dulce, Beata Dulce dos Pobres ou Bem-Aventurada Dulce dos Pobres.

Irmã Dulce destacou-se como notória ativista humanitária do século XX.  Seu nome extrapolou as fronteiras baianas e do Brasil. Suas obras de caridade aglutinaram inúmeros voluntários e continuam amealhando pessoas de bom coração. Essas obras tornaram-se referência nacional na (re)construção da cidadania e na recuperação dos valores essenciais ao ser humano, inclusive destacando-se bens como a saúde e o bem-estar. Suas obras assistenciais ganharam repercussão pelo mundo.

Maria Rita era filha de Dona Dulce e do Doutor Augusto Lopes Pontes, dentista e professor da Universidade Federal da Bahia. Quando criança costumava rezar muito e sempre demonstrou inclinação para a vida religiosa, no que foi incentivada pelos pais. Costumava visitar áreas vulneráveis, acompanhada por uma tia, e assim começou a ajudar mendigos, enfermos e desvalidos. Aos 13 anos tentou entrar para o Convento de Santa Clara do Desterro, em Salvador, mas foi recusada, por ser jovem demais.

Irmã Dulce desde menina foi transformando a casa da família, na Rua da Independência, 61, no bairro de Nazaré, num centro de atendimento às pessoas necessitadas. A casa ficou conhecida como “a portaria de São Francisco”, por ser o destino primeiro de carentes e necessitados que, em multidão, se aglomeravam à sua porta. Formou-se professora em 1932 e entrou para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, na cidade de São Cristóvão, em Sergipe. Depois dos votos perpétuos recebeu o nome de Irmã Dulce, em homenagem a sua mãe.

No esplendor de seus 19 anos, regressa a Salvador e assume a sua primeira missão como religiosa, que foi a de ensinar em um colégio mantido por sua congregação, na Cidade Baixa, e assistir às comunidades pobres da região.

Com 22 anos fundou, juntamente, com Frei Hildebrando Kruthanp, um alemão que se tornou baiano para, junto com Irmã Dulce, diminuir as agruras e mazelas sociais de seu tempo. Essa parceria deu origem à União Operária São Francisco, primeiro movimento cristão operário da Bahia. No ano seguinte, criaram o Círculo Operário da Bahia, mantido com a arrecadação de três cinemas que ambos haviam construído através de doações. A freira e o frei tinham como finalidade a difusão das cooperativas, a promoção cultural e social dos operários e a defesa dos seus direitos.

Em 1939, Irmã Dulce inaugurou o Colégio Santo Antônio, voltado para os operários e seus filhos. Entretanto, seu coração era preenchido por um desejo de amenizar o sofrimento dos desvalidos e doentes. Numa atitude corajosa, Irmã Dulce, invadiu cinco casas na Ilha do Rato, em Salvador para abrigar seus protegidos.

Foi expulsa do lugar e peregrinou durante uma década, até instalar, definitivamente, os seus doentinhos em um albergue que havia sido o galinheiro do Convento de Santo Antônio. Esse albergue deu origem ao Hospital Santo Antônio, centro de um complexo médico, social e educacional que continua ativo e fiel aos objetivos da doce Irmã Dulce, ou seja, atender aos pobres.

Em 1980, encontrou-se com o Papa João Paulo II, em sua primeira visita ao Brasil e recebeu de suas mãos uma bênção especial, um rosário e o pedido de Sua Santidade: “Continue, Irmã Dulce, continue”. Em 2000, foi agraciada pelo Papa João Paulo II com o título de Serva de Deus.

No ano de 1988 foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz pelo então presidente do Brasil, José Sarney. Em 2011, foi beatificada, e a comunidade católica espera sua justa canonização, de forma que a Irmã Dulce poderá ser a primeira Santa Católica nascida no Brasil.iRMÃ dULCE PENSADOR

Em novembro de 1990, Irmã Dulce começou a apresentar sérios problemas respiratórios, sendo internada no Hospital Português da Bahia, depois transferida à UTI do Hospital Aliança e finalmente ao Hospital Santo Antônio. Em 20 de outubro de 1991, recebeu no convento, em seu leito de morte, na ocasião da segunda visita do Papa João Paulo II ao Brasil uma última bênção e a extrema unção.

Para fazer justiça à Irmã Dulce, em 2014, o governador da Bahia, Jaques Wagner, instituiu por decreto o 13 de agosto como o Dia Estadual em Memória à Bem Aventurada Dulce dos Pobres. Em novembro de 2014, um filme biográfico, com o título Irmã Dulce, foi estreado em Salvador.

O “Anjo Bom da Bahia” morreu em seu quarto, de causas naturais, aos setenta e sete anos, em 13 de março de 1992. Durante mais de cinquenta anos ela se dedicou com entrega total à caridade e amor ao próximo.

De sua boca saía sempre o bordão: Deus lhe pague! Era assim que, em profunda gratidão, retribuía o amor que o povo baiano e brasileiro lhe dedicava, ajudando-a em suas causas sociais.

O Vaticando anunciou a data de santifificação de Irmã Dulce para 13 de outubro de 2019. Salve Irmã Dulce! O Anjo Bom da Bahia, uma Santa do Brasil!

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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