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A Saúde, toda ela, é paga. A Saúde é um grande comércio!

A Saúde é um grande comércio –

Padre Joacir S. d´Abadia

Você paga plano de saúde? Saiba que até uma balinha que você compra tem que pagar imposto. Ora essa! Não tem plano de saúde? Vai pagar imposto do mesmo modo. Não tem como correr.

Nosso sistema está projetado para gerar dinheiro. O capital é o grande doutor. Sem dinheiro você pega fila quilométrica. Com suas economias monetárias possivelmente você se aproximará de algum “cuidado”. Mas tratar-se é uma questão muito cara. A saúde é um grande comércio, pois toda ela é paga.

Nos hospitais públicos têm profissionais pagos para atender a população, mas com frequência esses profissionais estão sobrecarregados e, às vezes, atendem cansados.

Porém, muitos atendem, “sem tempo”, nos hospitais públicos, mas têm tempo para atender nos hospitais particulares. Então, a população paga duas vezes por um mesmo serviço quando alguém prefere buscar um médico particular?

Uma consulta custa muito caro. O médico dita seu preço por uma média de três minutos. Isso mesmo, uma consulta onde o profissional de saúde apenas informa: “o paciente precisa ficar internado”. Esse profissional recebe cerca de R$ 200,00 reais para dizer essas palavras, as quais são ditas escrevendo em um prontuário.

Nesse segundo a pessoa se dá conta de que um plano de saúde lhe ajudaria a não pagar pelo tratamento. Contudo, ela esquece de que sua vida não é aposentada  no luxo e que tem muito mais coisas importantes que ela não deve deixar de se preocupar.

Por exemplo, se você tem 34 anos de idade e tem plano de saúde o valor do seu plano mensal gira na casa dos R$ 760,00 mensais. Desse modo, a pessoa pensa o que seria interessante: “pagar R$ 1.350,00 por um dia de internação ou continuar com o plano de saúde mensal?”. Sem um plano os valores são todos pagos à vista. Com o plano o valor vai embora mensal sem a possibilidade de reembolso.

O comércio se instalou de uma forma tão ludibriante entre as empresas ligas à saúde que nos grandes centros hospitalares as clínicas não perdem tempo, elas estão dentro do próprio recinto. Não deixa o paciente optar por uma outra,  pois foi aquela que ganhou o direto de realizar o determinado procedimento.

A saúde, portanto, deixa de ser um simples procedimento que se cura com remédios caseiros e passa a fazer parte da economia que gira milhões de reais ao dia. Na busca por um hospital público se paga a humilhação de se ver que falta quase tudo.

De outra forma, nos atendimentos particulares não falta nada para se pagar: paga-se tudo. A saúde, toda ela, é paga. A SAÚDE, com efeito, é um grande Comércio.

saúde paga fenam.org .brfoto: fenam.org.br

ANOTE AÍ:

Joacir pb

Padre Joacir d'Abadia – Filósofo autor de vários livros, da “Academia de Letras e Artes do Nordeste Goiano” e da “Casa do Poeta Brasileiro – Seção -GO” e autor do mais recente livro “A Incógnita de Cully Woskhin” (Editora Palavra & Prece, 2018)

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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