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Se eu pudesse Fingir o amor

Se eu pudesse fingir o amor

Por Alice Bites

Se eu pudesse Fingir o amor é o desejo da poeta, O Pessoa disse: “(…)Finjo tão completamente (…)”. Uns tentam e conseguem, outros sofrem em vão. Amor e desamor, podemos descobrir muito desses sentimentos antagônicos através do que nos diz Alice Bites.

SE EU PUDESSE

Ah! Se eu pudesse
Fingir o amor!
O amor que eu quisera viver,
Mesmo sem te conhecer,
Perdia o medo de me perder.

Ah! Se eu pudesse
Fingir o desamor,
Aquele que eu quisera esquecer
Para não me perder.

Ah! Se eu pudesse
Fingir que o sofrer,
Nada mais é do que o viver.
Se eu pudesse fingir que o viver
Nada mais é, que o padecer.

Ahh! Se eu pudesse
Fingir o fingimento
E depois adormecer!

 

Alice Bites

Alice Bites Leão Leite (Alice Bites) é escritora, membro do Portal Cerratense e professora de História. Trabalhou como Coordenadora Pedagógica no Colégio CEBAM. Estudou no Programa de Pós-Graduação em História, UnB. É Pós-Graduada em História Cultural e Psicopedagogia. Mora em Valparaíso de Goiás, mas é de Trindade – Goiás, de onde vem sua e maior inspiração. É parceira da ALANEG/RIDE e colaboradora da Xapuri Socioambiental.

Imagem: O DESPERTAR DA PRIMAVERA – óleo 80 x 120 com, do artista plástico Otoniel Fernandes Neto, que é membro efetivo da Alaneg/RIDE e parceiro da Xapuri, Esta reprodução está na obra: Tua imagem, Teu soneto – Brasília, 2013. Nessa obra, o artista pinta o nu feminino tendo por fundo os ambientes naturais de seu cotidiano. Em sua maioria, as imagens da obra foram inspiradas por sonetos de grandes poetas da língua portuguesa.

Otoniel Fernandes Neto


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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