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A Sibipiruna existe, diferente da ética e da democracia brasileiras

A Sibipiruna existe, diferente da ética e da democracia brasileiras

Depois das decisões do Supremo Tribunal Federal antes do recesso da Corte maior do nosso judiciário, que liberou o Aécio Neves e Rodrigo Rocha Loures, e dos comentários da mídia golpista sobre a Greve Geral que paralisou a maior parte da produção no dia 30 de junho, prefiro deixar a política de lado e falar sobre coisas mais amenas, como a natureza, por exemplo.

Não vale a pena falar do parlamento, um bando de achacadores profissionais da política, que não estão nem aí para os movimentos populares, para as greves, nem de um presidente ilegítimo, que acha as denúncias do Procurador Geral da República peças de ficção, mesmo vendo seu comparsa filmado correndo com a “mala da propina”.

Prefiro então falar da Sibipiruna. Caesalpiniapeltophoroides é o seu nome científico, que não faz jus a sua beleza. Prefiro o nome popular, para mim mais singelo: Sibipiruna. Que na língua tupi significa “sucupira preta”.

Se você perguntar a uma pessoa que conheça a Sibipiruna quais os seus benefícios para o meio ambiente, rapidamente ela se lembrará da sua sombra e de sua beleza paisagística. Realmente essas características são altamente relevantes especialmente em dias muito quentes, quando se deseja livrar da inclemência do sol.

Pois eu cito mais alguns, além das sombras. Ela colabora com a diminuição de enxurradas e enchentes protegendo rios e nascentes. Absorve o carbono emitido pelos veículos e as demais atividades humanas predatórias ao meio ambiente – que não são poucas.

Eu prefiro falar da beleza da sibipiruna que, na primavera, a partir de setembro, toma o lugar dos ipês e floresce majestosamente, transbordando de amarelo-forte a paisagem da cidade, cobrindo as calçadas e formando um tapete cor de ouro com suas flores.

Falando cá com os meus botões, perguntei a eles qual a razão da pouca atenção à sibipiruna por parte da mídia. Será que é preconceito por ela ser amarela? Ou será por causa do seu exótico nome científico?

Os ipês, os flamboyants e toda sorte de árvores são cantadas em verso e prosa. Têm concursos de fotografias e outros babados. A sibipiruna não. Para ela “nem tchum”.

De todas as sibipirunas de Brasília, a que mais me impressiona é a do Parque Olhos d’Água, onde caminho todos os dias. Em meio a centenas de árvores, lá está ela. Imponente. Copa frondosa. Em setembro seu amarelo será vibrante. E ela estará solitária e linda. Como a querer fazer inveja às suas companheiras de outras espécies que não florescem.

Os especialistas em botânica dizem que a “sibipiruna floresce a partir do final de agosto e prolonga-se até meados de novembro”. Chegou fevereiro e elas continuam. Altaneiras e belas. Birrentas e teimosas. Contrariando a ciência. Talvez para mostrar aos especialistas e àqueles que não lhes dão atenção toda a majestática imponência.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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