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Reflexão sobre disputas e debates no sindicalismo brasileiro pós-ditadura de 1964

Reflexão sobre disputas e debates no sindicalismo brasileiro  pós-ditadura de 1964

Com a vitória eleitoral de Lula em 2002, quando, pela primeira vez na história do Brasil e da América Latina, um representante dos trabalhadores assumia a Presidência da República, parecia que o País, depois de ter sofrido vinte anos de ditadura militar, caminhava para um contexto político diferenciado, que se abria a um novo estágio na luta de classes para o Movimento Sindical.

Porém, ficou visto que esse caminho se traduzia mais complexo e cheio de obstáculos e armadilhas diante das possibilidades para o avanço das lutas operárias. Essa disfunção pôde ser constatada a partir do primeiro governo sob a hegemonia do Partido dos Trabalhadores (PT), que trazia em seu programa a esperança das jornadas das décadas de 1970 e 1980.

Ao assumir o governo, o propósito da autonomia e luta por um novo modelo de sindicalismo, diferente do que denominavam “sindicatos oficiais”, torna-se ambíguo, dentro dos parâmetros estabelecidos na “Carta aos Brasileiros”, que apregoava o não rompimento com a política macroeconômica neoliberal. Ao contrário, foram golpeados direitos dos trabalhadores com propostas como a contrarreforma da Previdência Social e Trabalhista dos funcionários públicos.

As divergências que se estabeleceram a partir da Conclat se acentuaram no campo sindical e no próprio campo da CUT. Os consensos construídos no Fórum Sindical Nacional, sobre as mudanças na estrutura sindical brasileira, que necessitavam de unidade para pressão e aprovação no Congresso Nacional, não obtiveram êxitos, já que a reforma mexeria com uma estrutura montada há mais de seis décadas e seus pilares básicos, a “Unicidade Sindical” e o “Imposto Sindical”, foram objeto de calorosos debates e profundas divergências na 1ª Conclat.

Hoje, verificamos que o movimento sindical se encontra numa encruzilhada. Questões de direitos que se apresentavam como resolvidas a partir da Constituição de 1988 estão de volta ao tabuleiro político das discussões trabalhistas.  Entre elas, as que se relacionam com a flexibilização dos direitos trabalhistas, advindos das mudanças do processo de produção e da reestruturação industrial, com seu processo de enxugamento dos postos de trabalho, aumento da produtividade e depreciação dos salários e precarização da mão de obra.

ANOTE AÍ:

Trajano Jardim – Jornalista e Professor Universitário

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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