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Sobre afeto e ternura: Cuide de quem cuidou de você!

Sobre afeto e ternura: Cuide de quem cuidou de você!

Por Fabíola Simões A soma de todos os afetos Via portalraizes

Quando eu derramar comida sobre a minha camisa e esquecer como amarrar os meus sapatos, tem paciência comigo, lembra-te das horas que eu passei te ensinando a fazer as mesmas coisas.

Se quando conversares comigo eu repetir as mesmas histórias que tu já sabes de cor como terminam, não me interrompas, escuta-me. Quando eras pequeno, para que tu dormisses tive que te contar várias vezes a mesma história, até que fechasses os olhinhos.

Quando eu tiver sem movimento e sem querer fizer minhas necessidades, não fiques com vergonha, compreende que não tenho culpa disso, pois já não as posso controlar, pensa quantas vezes pacientemente eu troquei tuas roupas, tuas fraldas para que estivesses sempre limpinho.

Não me reproves se eu não quiser tomar banho, seja paciente comigo. Lembra-te dos momentos em que eu te persegui com mil pretextos que inventava pra te convencer a tomar banho.

E em algum momento quando conversarmos eu me esquecer do que estávamos falando, tenha paciência e me ajude a lembrar. Talvez a única coisa importante pra mim naquele momento seja o fato de te ver perto de mim me dando atenção e não ao que falávamos.

Se alguma vez eu não quiser comer saiba insistir com carinho, assim como eu fiz contigo. Também compreende que com o tempo não terei dentes fortes e nem agilidade para engolir. E quando minhas pernas falharem por estarem tão cansadas e eu nem já não consegui mais me equilibrar, com ternura, dá-me tua mão para me apoiar, como eu fiz quando tu começaste a caminhar com as tuas perninhas tão frágeis.

Não te sintas triste ou impotente por me ver assim. Não me olhes com cara de dó, dá-me apenas o teu coração, compreende que me apoia com o risco que começaste a viver, isso te dará forças e muita coragem, da mesma maneira que te acompanhei no início da tua jornada. Peço-te que me acompanhes para terminar tudo. Trata-me com amor e paciência, eu te devolverei sorrisos e gratidão com imenso amor que sempre tive por ti.

E em algum momento quando conversarmos eu me esquecer do que estávamos falando, tenha paciência e me ajude a lembrar. Talvez a única coisa importante pra mim naquele momento seja o fato de te ver perto de mim me dando atenção e não ao que falávamos.

Se alguma vez eu não quiser comer saiba insistir com carinho, assim como eu fiz contigo. Também compreende que com o tempo não terei dentes fortes e nem agilidade para engolir. E quando minhas pernas falharem por estarem tão cansadas e eu nem já não consegui mais me equilibrar, com ternura, dá-me tua mão para me apoiar, como eu fiz quando tu começaste a caminhar com as tuas perninhas tão frágeis.

Não te sintas triste ou impotente por me ver assim. Não me olhes com cara de dó, dá-me apenas o teu coração, compreende que me apoia com o risco que começaste a viver, isso te dará forças e muita coragem, da mesma maneira que te acompanhei no início da tua jornada. Peço-te que me acompanhes para terminar tudo. Trata-me com amor e paciência, eu te devolverei sorrisos e gratidão com imenso amor que sempre tive por ti.


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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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