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Sonhém de Cima integra saberes do campo

Sonhém de Cima integra projetos e alinha Educação Ambiental aos saberes do campo

Com respeito à diversidade do campo em seus aspectos sociais, culturais, ambientais, políticos, religiosos e econômicos, como determina a Portaria nº 419 de 2018 que trata do direito à Educação do Campo, o trabalho em equipe das educadoras e educadores da Escola Classe Sonhém de Cima, da Coordenação Regional de Ensino de Sobradinho, tem gerado resultados positivos.

A escola do campo, localizada no Assentamento Contagem, na Fercal, recebe todos os dias cerca de 180 educandos que, graças a integração de dois projetos pedagógicos, reforçam o aprendizado dos conteúdos curriculares (Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, História, Ciências, Artes) em consonância com os princípios da Educação Ambiental e com as matrizes formativas da Educação do Campo (Terra, Luta Social, Trabalho, Cultura, Opressão, entre outras) presentes no território camponês.

O primeiro projeto denominado A contagem do Contagem, tem a participação coletiva e dialógica de todos os educadores da escola com a mediação da gestora Maria do Socorro Ritter e os educadores Sérgio Luiz Teixeira e Aluízio Augusto Carvalho. Trata-se de uma iniciativa que busca aproximar e agregar conhecimentos curriculares aos saberes e fazeres da população camponesa.

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Por meio da proposta, os estudantes contribuem na produção do inventário social, histórico, cultural e ambiental do Assentamento
Contagem, intitulado Escola Classe Sonhém de Cima: os saberes e os fazeres do campo com prosas e rimas. Este trabalho educativo consiste em uma ampla pesquisa etnográfica sobre os conhecimentos dos primeiros moradores, dos posseiros (pessoa que detém a posse da terra) e dos Sem Terra. Além disso, busca reiterar a importância da Reforma Agrária. Pegando o gancho da Educação Ambiental,
os alunos participam do Projeto As mãos da Sonhém Cuidando do Nosso Bem, onde os educandos visitam as famílias do assentamento,
contam histórias, cuidam, limpam e preservam diversos espaços da comunidade como, por exemplo, a nascente da Bacia do Rio Maranhão, que abrange o limite das redondezas onde o assentamento está localizado. Na última ação, o Coletivo Girassol, composto por turmas do 5º ano, visitou uma das moradoras do Contagem, que devido problemas de saúde, encontra-se acamada. Lá, os estudantes recolheram todo lixo da propriedade e finalizaram o dia de trabalho coletivo e solidário com a encenação teatral do conto Cinderela.
“Nosso projeto está alicerçado em quatro eixos: terra, direitos humanos, trabalho e alimento.

Além de valorizar a população do campo e desconstruir a imagem pejorativa dos Sem Terra criada pela mídia, nosso objetivo é também
despertar nesses educandos o sentimento de conscientização em prol da classe trabalhadora camponesa. Aqui, eles entendem que é possível morar e trabalhar no campo, preservar o meio ambiente e ainda e produzir alimentação saudável, sem agrotóxicos”, conclui o professor Sérgio Luiz Teixeira.

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E a prova de que o projeto de fato tem colhido bons frutos pode ser vista no depoimento dos estudantes, que sentem orgulho de suas raízes e em fazer parte de uma escola do campo. Kayky Lima Brito, 10 anos, estudante do 5º ano, conta emocionado um pouco da história de sua família. “Tenho orgulho em ser parente de pessoas que tiveram tanta luta. Sempre escuto as histórias que meus tios, meu pai e, principalmente, minha avó, Luzia Rodrigues de Souza, contam sobre a difícil luta junto ao Incra para garantir nossa terra. Com muito aperreio conseguimos uma boa chácara, perto do rio. Nós plantamos mandioca, banana, quiabo e produzimos farinha. E é com a venda
desses produtos na feira que garantimos nosso sustento”, explica.

Já a aluna Kevelen Pereira de Moura Silva, 11 anos, também estudante do 5°, explica que seu avô materno fez parte dos posseiros e sua avó paterna era uma das acampadas, e foi graças a luta dos dois que a conquista da terra foi garantida. “Meu pai e minha avó que cuidam da nossa chácara. Plantamos banana e abóbora e a irrigação vem do rio que passa no fundo da casa. Além disso, criamos vacas, porcos e galinhas. Eu tenho muito orgulho da minha história, e saber que nada do que temos hoje foi de graça, tudo foi fruto de muita luta dos meus familiares para que a gente pudesse ter nosso cantinho é motivo de muito orgulho para mim. As pessoas precisam reconhecer mais o nosso trabalho e a nossa luta”, concluiu.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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