Uma semana que já dura cem anos. E abre caminhos para a arte brasileira
Como é a São Paulo modernista que Tarsila do Amaral pintou em 1924?
Por Leila Kiyomura/via Portal vermelho
Essa pintura, quase um século depois, encontra a São Paulo de hoje como a mais rica e moderna metrópole do País inserida na pandemia global. Mas, sob a luz da arte de 1922, busca o sentido histórico e cultural da São Paulo das pintoras Tarsila do Amaral e Anita Malfatti e dos escritores Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia, ou o resistente Grupo dos Cinco.
“Nós, da Pinacoteca, acreditamos enfaticamente na necessidade de uma reflexão crítica sobre a Semana de Arte Moderna de 1922″, comenta Jochen Volz, diretor da Pinacoteca. “Não interessa só a celebração e efeméride, mas sim uma revisita a partir de um ponto de vista dos dias atuais.”
Desde o início do ano passado, a Pinacoteca vem se mobilizando com uma programação para incentivar o pensamento crítico. De março a dezembro de 2021, realizou debates em parceria com o Instituto Moreira Salles e o Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP, que estão disponíveis em vídeos no site da Pinacoteca.
Curadores, pesquisadores e artistas do Brasil e de outros países apoiaram o evento que discutiu a importância da Semana de Arte Moderna, os seus valores estéticos e a sua influência até a contemporaneidade.
“Ao mesmo tempo compreendemos como responsabilidade nossa, cem anos depois, no meio da experiência de uma pandemia global, de uma polarização extrema da sociedade brasileira e de uma violenta perda de diversidade natural e cultural, perguntar o que podemos aprender com distintas visões do que é moderno. Quais são as linguagens que nos unem hoje?”, questiona Jochen Volz.
“O visitante tem um percurso em que observa, em diferentes salas, obras reunidas de 1920 até 1950, de diferentes movimentos, momentos e artistas.”
As 134 obras de Di Cavalcanti, Lasar Segall, Ismael Nery, entre outros modernistas, dividem o espaço com as mil obras do acervo de diferentes momentos para buscar e refletir a memória da arte brasileira.
“Essa é uma mostra inserida em nosso acervo, em que sinalizamos as obras modernistas por meio de selos e adesivos, constituindo um panorama do movimento na primeira metade do século 20”, explica o curador sênior da Pinacoteca José Augusto Ribeiro, que é mestre em Teoria, História e Crítica de Arte pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. “Elas estão em diferentes salas.
O visitante tem um percurso em que observa obras reunidas de 1920 até 1950, de diferentes movimentos, momentos e artistas.”

Ribeiro explica que a mostra Modernismo. Destaques do Acervo traz uma análise sobre a Semana de 1922 não só como uma efeméride, mas para levantar hipóteses e considerar as produções prévias e posteriores da Semana de 1922.
“É importante pensar a Semana de 22 como parte de um processo cultural, um catalisador de energia em busca de transformação, uma mobilização de artistas intelectuais procurando uma renovação de linguagem, e pensar isso dentro de uma perspectiva histórica.”
As obras estão organizadas em 19 salas. Destacam-se: Antropofagia, de Tarsila do Amaral, na sala 6, Auto-Retrato, de Victor Brecheret, na sala 1, Bananal, de Lasar Segall, na sala 19,
Casal na Varanda, de Cícero Dias, na sala 16, Dois Irmãos, de Ismael Nery, na sala 15, Portadora de Perfume, de Victor Brecheret, no átrio de esculturas, Retrato de Goffredo da Silva Telles, de Lasar Segall, na sala 16, e São Paulo, de Tarsila do Amaral, na sala 10.
A exposição Modernismo. Destaques do Acervo está em cartaz até 31 de dezembro, de quarta a segunda-feira, das 10 às 18 horas, na Pinacoteca do Estado de São Paulo (Praça da Luz, 2, centro, em São Paulo). O ingresso custa R$ 20,00 (inteira). É necessário apresentar passaporte de vacinação contra a covid-19. Reservas podem ser feitas no site da Pinacoteca.
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SEPÉ TIARAJU, GUERREIRO GUARANI, HERÓI DA PÁTRIA
Sepé Tiaraju: o guerreiro Guarani que morreu junto com 1500 indígenas defendendo o Brasil
Sepé Tiaraju é um dos muitos heróis brasileiros que não são reconhecidos nos livros de História do país. Foi um guerreiro indígena brasileiro, considerado santo popular e declarado “herói guarani missioneiro rio-grandense” por lei. Chefe indígena dos Sete Povos das Missões, liderou uma rebelião contra o Tratado de Madri.
Por Maria Fernanda Garcia
Um dos principais episódios da vida de Sepé Tiaraju é a chamada Guerra Guaranítica, na qual Sepé liderou índios guaranis na resistência contra a desocupação dos Sete Povos das Missões que os espanhóis pretendiam. A Guerra Guaranítica durou de 1753 a 1756, ano da morte de Sepé Tiaraju.
Sepé foi criado como líder e treinado pelos guerreiros Guaranis, entretanto, o advento das Missões Jesuíticas, hoje Região das Missões, que incluía São Gabriel (RS), onde na Sanga da Bica foi morto Sepé, introduziram novas configurações de forma abrupta às comunidades indígenas e gerou insatisfação das aldeias.
As missões se encarregavam de implementar nas aldeias Guaranis casas coletivas, centros administrativos hispânicos, expulsão de pajés (que eram substituídos por líderes jesuítas) e o estudo religioso com fim de conversão. Além disso, alteravam a divisão das propriedades e dos trabalhos entre os indígenas.
Em 1750, foi estabelecido o Tratado de Madri entre portugueses e espanhóis. O tratado determinou que Portugal iria ceder a região da Colônia do Sacramento, hoje Uruguai, à Espanha, em troca da cessão do território dos Sete Povos das Missões. A tentativa de desocupação implicava que cerca de 50 mil indígenas fossem expulsos de suas propriedades e deslocados para outro território espanhol.
Os indígenas não aceitaram a proposta e tiveram o apoio de padres jesuítas da Companhia de Jesus. A região era rica em gado e foi disputada com armas. Espanhóis e portugueses se juntaram na luta contra os índios Guaranis.
Em 07 de fevereiro de 1756, o episódio da Batalha de Caiboaté ficou conhecido como uma das piores derrotas dos índios, com 1500 mortos. Entre os mortos estava Sepé Tiaraju. Nesta batalha, Sepé disse uma frase que é hoje reconhecida historicamente e atribuída a sua figura: “Esta terra tem dono.”
A história de Sepé Tiaraju tornou-se tema literário. Entre as obras do tipo, é considerada a mais importante “Romance dos Sete Povos das Missões”, de 1975, de Alcy Cheuiche, que retrata a vida do guerreiro indígena brasileiro.

Comentário do leitor Artur Barcelos no Portal das Missões:
Prezada Maria,
Sepé não pode ser considerado brasileiro, pois era um Guarani evangelizado por jesuítas a serviço da Espanha e que viveu e morreu em território colonial espanhol. Tampouco morreu na batalha de Caiboaté. Ele morreu três dias antes em um encontro com soldados de Portugal e Espanha.
Ela é herói riograndense e está também no Panteon da Pátria em Brasília. Mas é uma homenagem que gaúchos e brasileiros fazem por sua liderança na luta pela terra. Mas todos sabem que Sepé não viveu como habitante da colônia Brasil.
Artur Barcelos

SOBRE SEPÉ TIARAJU
Muitas histórias, diversas versões para a vida, outras tantas para a morte. No dia 7 de fevereiro de 1756, morria na nascente do rio Vacacaí, na atual cidade de São Gabriel esse ícone da estirpe guerreira da gente do sul.
Sepé Tiaraju nasceu em data desconhecida na redução de São Luiz Gonzaga e foi batizado com o nome cristão de José.
Depois de muitas lutas e sacrifícios, a prosperidade chegou às Missões e o desenvolvimento resplandeceu, graças a harmonia existente e o modelo social econômico implantado nas reduções.
No apogeu do progresso das reduções jesuíticas, quando tudo transparecia felicidade, eis que, mais uma vez a crueldade do destino chega até os povos missioneiros, desta feita através da Escarlatina, também conhecida como ” peste indígena “, que dizimou em torno de 30% da comunidade guarani, e foi em meio a esta epidemia que nasceu “Sepé”, filho do cacique Tiaraju, vítima de morte da tão temida peste, e que, momentos antes de morrer, entrega seu filho com poucos dias de vida e já acometido pela doença, aos Padres Jesuítas implorando-os que o salvassem.
Criado pelos Padres, aos poucos foi adquirindo o conhecimento e a cultura dos Jesuítas que se somaria ao espírito de liberdade, uma herança guarani, o suficiente para transformá-lo em um dos maiores líderes da brilhante comunidade indígena missioneira. Da doença, restaram em seu corpo, cicatrizes várias, uma delas em sua testa, com formato de meia-lua. Como diz a lenda, esta lhe dava uma aura mística e brilhava nas noites, em cor escarlate.
TRATADO DE MADRID
A vida real de Sepé Tiaraju não precisaria de lenda para ser grande. Como Corregedor do Cabildo de São Miguel, ele foi o mais tenaz resistente à entrega dos Sete Povos aos Portugueses, em troca da Colônia de Sacramento.
No início ele não tinha noção clara do que se passava e defendia com denodo e gratidão aos espanhóis, por servirem o mesmo rei dos jesuítas e guaranis. Para decepção sua, pouco tempo depois, Fernando VI, rei da Espanha, ordenaria que as reduções fossem evacuadas a força se necessário, sem a mínima consideração para com índios e padres.
Quando isso começou a ser posto em prática, o até então pacato Sepé Tiaraju transformou-se num autêntico guerreiro, chamando para si a responsabilidade da defesa do povo guarani, da cobiça e do egoísmo dos Espanhóis e Portugueses, pela posse da terra.
Em uma carta, a ele atribuída, dirigida ao governo espanhol ele escreveu: “Nossa riqueza é a nossa liberdade. Esta terra tem dono e não é nem português nem espanhol, mas Guarani”.
Em São Miguel, chefiados por ele, os índios atacaram as carretas que faziam mudança dos objetos da Igreja, obrigando-os à retornar à redução. Durante mais de três anos, ele foi o grande líder dos Guaranis revoltosos.
A MORTE
Sepé morreu em 7 de fevereiro de 1756, às margens da sanga da Bica, afluente do rio Vacacaí, no município gaúcho de São Gabriel. Com ele morria também a grande nação guarani. A própria Companhia de Jesus foi proscrita em todo o mundo. Os Jesuítas pagaram pelo crime de não ter abandonado os guarani.
Após sua morte pereceram milhares de guaranis diante das armas luso-brasileiras e espanholas.
Encerrava-se assim, uma das mais bem sucedidas experiências de vida comunitária cristã-comunista de todos os tempos.
Por seu feito, chegando a ser considerado um santo popular, virou personagem lendário do Rio Grande do Sul, e sua memória ficou registrada na literatura por Basílio da Gama no poema épico O Uruguai (1769) e por Érico Veríssimo no romance O Tempo e o Vento, recentemente adaptado para o cinema.
HERÓI DA PÁTRIA
No dia 21 de setembro de 2009, foi publicada a Lei Federal 12.032/09, que traz em seu artigo 1º o texto “Em comemoração aos 250 (duzentos e cinquenta) anos da morte de Sepé Tiaraju, será inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, que se encontra no Panteão da Liberdade e da Democracia, o nome de José Tiaraju, o Sepé Tiaraju, herói guarani missioneiro rio-grandense.”
Como homenagem ao heroísmo e à coragem de Sepé Tiaraju, a rodovia RS 344 recebeu o seu nome. Existe também no Rio Grande do Sul o município de São Sepé, nome que reflete a devoção popular pelo herói indígena.
Sepé Tiaraju é história, é mito, é santo e herói. Povoa o imaginário, aglomera façanhas, é fruto dos anseios humanos na busca do ideal.
Os tempos áureos das Missões foram aplacados, mas é através da presença viva de figuras como Sepé, que esta história deixa seus legados e exemplos.
Fonte: portaldasmissoes.com.br/

