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VALORES CIVILIZATÓRIOS AFROCENTRADOS

A Tradição dos Orixás: Valores Civilizatórios Afrocentrados

Estamos apresentando este livro e documentários do mesmo título a ativistas dos diferentes movimentos sociais, praticantes da fé religiosa, professores, estudantes e público em geral com interesse em conhecer uma experiência desenvolvida entre os anos 1980 e 1990, na região da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, que uniu o e os Terreiros para o enfrentamento do religioso.

Por Iêda Leal

orix%C3%A1s capa livroOs autores são os professores Luís Claudio de Oliveira da UERJ, doutor em Social, e Edlaine de Campos Gomes, da UNIRIO, doutora em Antropologia Social. Eles reúnem material desde 2010 – em documentos escritos e em depoimentos, além de fotografias, muitas inclusive feitas pelo João Bodê, da UERJ, que compõem o registro do Tradição dos Orixás.

No centro da pesquisa está a trajetória do seu principal idealizador, o baiano Jayro Pereira, ex-seminarista, filósofo e teólogo, nascido na ilha de Itaparica, Bahia, que chega à capital fluminense em 1985.

O aspecto principal explorado pelos pesquisadores é a metodologia empregada pelo grupo de ativistas do movimento negro junto às Comunidades de Terreiros.

Partindo da reconstrução oral daqueles que participaram do Projeto, evidenciam que a sua consecução teve como motor a mobilização dos adeptos contra os ataques racistas do fundamentalismo cristão neopentecostal.

Mas, para essa mobilização os seus interlocutores junto à mídia, aos demais movimentos sociais e às instituições do poder público propunham a política no interior dos Terreiros. Disto resultou a realização de mais de uma dezena de Encontros Regionais da Tradição dos Orixás e outros dois de dimensão estadual.

VALORES CIVILIZATÓRIOS AFROCENTRADOS

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

revista 119

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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