VIOLÊNCIA VICÁRIA, VIOLÊNCIA DE GÊNERO

VIOLÊNCIA VICÁRIA, VIOLÊNCIA DE GÊNERO, CRIME BÁRBARO, HEDIONDO

O crime bárbaro cometido por um homem, secretário da prefeitura de Itumbiara (GO), Thales Machado, que assassinou os próprios filhos como forma de punir sua ex-companheira, trouxe à tona uma forma específica de violência de gênero: a violência vicária.

Por pontodepauta 

Esse tipo de violência ocorre quando o agressor utiliza os filhos, ou outras pessoas com forte vínculo afetivo, para causar sofrimento psicológico à mulher, atingindo quem ela ama como forma de controle, vingança ou punição.

A violência vicária pode se manifestar por meio de ameaças envolvendo os filhos; afastamento forçado da convivência; manipulação emocional; falsas acusações; sequestro ou retenção ilegal de crianças.

NENHUMA MAAE

Fonte: Facebook 

O que é violência vicária

Em entrevista à Agência Brasil, a secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Estela Bezerra, explicou que a violência vicária ocorre quando o agressor cria situações de dor e até morte, para atingir pessoas que mantêm relação de afeto com a vítima.

“Na maioria das vezes, são utilizadas crianças e adolescentes, filhos daquela mãe, porque são o maior vínculo afetivo que ela tem. Para poder penalizar a mãe, que foi exatamente o caso em Itumbiara, em que o pai matou os dois filhos para atingir a mãe”, afirmou.

Segundo ela, trata-se de uma tentativa de impor à mulher “a maior penalidade que uma pessoa pode receber, que é ter um filho executado”.

Narrativa de culpabilização da vítima

Estela também destacou que, na maioria dos casos, o agressor constrói uma narrativa em que se coloca como vítima e responsabiliza a companheira pelo crime. Antes de atirar contra si mesmo, Thales Machado publicou nas redes sociais uma carta em que mencionava uma suposta traição e uma crise conjugal.

“Ele executa os filhos e constrói, antes de morrer, uma narrativa de responsabilização da esposa. Coloca sobre ela a responsabilidade pela morte que ele próprio cometeu, porque estava sendo rejeitado”, explicou a secretária.

Para ela, a manipulação faz parte da violência. “O assassino construiu uma narrativa para culpabilizar a vítima, que é a mulher. Ela teve os filhos assassinados, teve sua imagem exposta e ainda sofre a tentativa de responsabilização social pela tragédia”, afirmou.

“Quem mata escolheu matar. Não é responsabilidade da mulher.”

Violência sistemática e cultura machista

De acordo com Estela Bezerra, a violência vicária é mais comum do que se imagina, embora pouco discutida. “Esse tipo de violência é sistemático, acontece no dia a dia. Vai de situações sutis até situações extremas, como essa”, disse.

Ela relaciona o fenômeno à cultura machista e à assimetria de gênero ainda presente no Brasil e no mundo.

“Há uma assimetria muito forte, visível na política e na economia. A maior expressão dessa desigualdade se dá na violência, utilizada como instrumento para manter a mulher em posição de subalternidade e medo, impedindo sua liberdade”, completou.

Casos no exterior

Brasileiras também têm sido vítimas de violência vicária fora do país, especialmente na Europa.

Dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero, que reúne informações do Senado Federal, Ministério da Justiça e Segurança Pública, Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Sistema Único de Saúde (SUS), apontam que 71 mulheres procuraram repartições consulares em 2024 para relatar casos de subtração de menores. Portugal lidera os registros, seguido por Reino Unido, Suíça e Estados Unidos.

No mesmo ano, outras 723 mulheres pediram auxílio em casos de disputa de guarda, sendo 546 ocorrências na Europa. A Alemanha aparece em primeiro lugar, seguida pelos Estados Unidos e por Portugal.

Projeto de lei pode incluir violência vicária na Lei Maria da Penha

Tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei 3.880/2024, que propõe alterar a Lei Maria da Penha para incluir explicitamente a violência vicária, caracterizada pelo uso de filhos ou familiares para ferir a mulher, como forma de violência doméstica.

A relatora apresentou parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados. O texto aguarda votação desde maio de 2025. (Confira o projeto no link)

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p style=”text-align: center;”>Fonte: Facebook 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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