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Voilá! Você paga as férias dos milicos em Paris

Voilá! Você paga as férias dos milicos em Paris

 

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Leandro Demori

 

Editor Executivo

 

A mamata acabou? A mamata nunca acaba. A viagem pela Europa de Renato Vaz e sua esposa Luana, por exemplo: começou por Paris no último sábado e vai custar caro, mas não pra eles, pra nós. Ainda no primeiro dia, Luana postou publicamente no seu Instagram uma foto do casal com a legenda: “Férias!!!!! Começando por Paris 🥂”.

A nossa editora sênior Tatiana Dias descobriu que a viagem foi paga – pelo menos em parte – por você. Lembra do tour milionário dos coronéis do Exército que nós revelamos em maio deste ano? Agora chegou a hora do embarque, e nós fomos lá pra registrar o momento.

Renato Vaz e Luana, Andre Cunha e Rita Asfury e Rita e Fernando Libório estão na Europa juntos com outros 58 casais que partiram do Rio de Janeiro para a “Viagem de Estudos Estratégicos ao Exterior” – assim como foi batizada pelo Exército. Fazem parte do grupo 57 alunos da Eceme, quatro instrutores e as respectivas esposas. A já tradicional viagem de final de ano é promovida pelo Curso de Política Estratégica e Alta Administração do Exército, o CPEAEx, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, a Eceme.

Renato – assim como os outros alunos que viajaram na mesma comitiva – recebeu R$ 19 mil em “ajuda de custo” para passar os 13 dias na Europa. Os finais de semana também são remunerados. Ninguém precisa justificar como usou o dinheiro.

Além das diárias, o Exército ainda pagou passagens aéreas dos coronéis, transporte por todo o trajeto entre França, Bélgica e Alemanha e atividades. Passeios e city tours para as esposas são incluídos na programação. Os militares disseram à Tati que “o Exército não se envolve em questões relacionadas aos acompanhantes” e que a eventual presença de familiares “ocorre segundo critério pessoal, sem custos para a União” – mas as incluiu nos traslados, nos passeios, nos hotéis… enfim, no roteiro oficial com dias livres e diárias aos maridos.

Só nas passagens dos coronéis, a viagem custou cerca de R$ 335 mil em dinheiro público. O maior valor, no entanto, é da ajuda de custo: pelo menos R$ 1,25 milhão. No total, o tour custou a mim e a você mais de um milhão e meio de reais – com a alta do dólar, saiu mais caro do que as edições anteriores da viagem.

O objetivo da viagem, segundo o Exército, é promover “o assessoramento de alto nível aos altos escalões do Exército, do Ministério da Defesa e do Poder Executivo”. A programação inclui visitas à Otan e ao Ministério da Defesa, além de apresentações de embaixadores e militares franceses. Enquanto os maridos cumprem o protocolo, as mulheres têm uma programação específica. O roteiro de estudos é intercalado com tardes e manhãs livres e city tours.

Depois que publicamos nossa reportagem em maio, grupos de zap dos coronéis entraram em estado de alerta. Eles optaram por um embarque discreto: os casais saíram da sede da escola, no bairro da Urca, no Rio de Janeiro, na manhã de sexta-feira retrasada, em ônibus civis, fretados.

Pegaram os dois ônibus em direção ao Galeão e, de lá, partiram pela AirFrance para Paris. O comandante da Eceme, general de brigada Rodrigo Vergara, levou também a filha. Perguntamos isso à escola – que não confirmou. Nós fomos até lá para conferir, e tiramos essa foto.

Fonte: The Intercept Brasil 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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