100 milhões de brasileiros precisam de assistência do novo governo, diz equipe da transição

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Simone Tebet e Tereza Campello concederam entrevista coletiva para expor pontos analisados pelo Grupo de Trabalho de Desenvolvimento Social e Combate à fome…

Por Eduardo Meirelles/via Fórum

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) afirmou nesta quinta-feira (1), durante entrevista coletiva do Grupo de Trabalho (GT) de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, do gabinete de transição, que o grupo encontrou um desmonte das políticas sociais dentro do Ministério da Cidadania e declarou que “de cidadania só tem o nome”. A ex-ministra Tereza Campello, também presente na coletiva, afirmou que o atual governo agiu com má fé. “Um governo que por quatro anos não fez cisternas”.

Tebet, cotada para o comando da pasta do Desenvolvimento Social, informou que toda a estrutura ministerial hoje existente está voltada para o Auxílio Brasil, deixando de lado outras questões sociais emergentes e cortando verbas de políticas públicas de assistência. “Desde políticas públicas para cisternas, água potável, produção de obras, áreas quilombolas, aldeias, obras, atendimento dos mais de 8 mil Cras (Centro de Referência de Assistência Social) em municípios, e a total falta de vontade política de garantir a emancipação da população”, afirmou.

Um dos pontos críticos levantados por Tebet é que o valor de R$ 80 bilhões, proposto na PEC do Bolsa Família, cobre o rombo apenas do Desenvolvimento Social. “Só no Ministério do Desenvolvimento Social nós não precisamos de R$ 70 bilhões extra-teto. Esses R$ 70 bilhões são apenas para o Auxílio Brasil. Tem R$ 2 bilhões do Auxílio-Gás, mais R$ 2,6 bilhões para o SUS, R$ 500 milhões para cisternas, R$ 6,5 bilhões para o Sistema Único de Assistência Social (Suas), que foi deixado de lado”, pontuou.

“Estamos chegando a praticamente a R$ 80 bilhões só no Ministério para efeito de extra-teto, o que significa que qualquer PEC que hoje tramita no Senado, que é uma PEC alternativa, seria suficiente apenas para cobrir o rombo do orçamento de um único ministério, no caso, o Ministério de Desenvolvimento Social, da Cidadania”, afirmou.

“Vamos ter que fazer esse levantamento coletivo que ainda não temos. Hoje vamos apresentar os diagnósticos orçamentários, os alertas de mérito em relação a pasta, a possíveis desmontes, aos programas como estão”, completou Tebet.

PT reivindica Ministério do Desenvolvimento Regional

Em reunião também nesta quinta-feira (1), congressistas da bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara e no Senado reivindicaram o comando da pasta. Para eles, o comando do Bolsa Família é primordial para o partido do presidente, que ouviu o pedido sem manifestar opinião.

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora