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1º veleiro do mundo feito de lixo plástico

1º veleiro do mundo feito de lixo plástico inspira criação de indústria para construção de barcos com descartáveis

De acordo com estudos do PNUMA, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, 400 milhões de toneladas de plástico são geradas todos os anos no mundo. Desse total, 11 milhões são descartadas nos ecossistemas aquáticos. E mais: se nada for feito a respeito, esse volume pode quase triplicar até 2040, o que equivale a cerca de 50 quilos de plástico por metro de costa em todo o globo.

Por Débora Spitzcovsky/The Green Post

Atentos ao problema, os criadores do Flipflopi, primeiro veleiro do mundo feito de resíduos de plástico e chinelos coletados em praias e cidades da costa queniana, realizaram uma expedição para mapear o impacto do lixo marinho no arquipélago de Lamu, no Quênia.

Ao avaliar o alcance dos resíduos na região, eles decidiram se mobilizar para apoiar as comunidades com soluções e sistemas de reciclagem. A sugestão é criar uma indústria de construção de barcos de lixo plástico.

A pesquisa também vai ajudar a entender os tipos mais comuns de resíduos plásticos que se acumulam no litoral da região e mapear áreas de acúmulo do material. O objetivo é fornecer uma visão completa dos tipos mais comuns de resíduos plásticos, suas fontes e como eles impactam os ecossistemas marinhos do arquipélago, localizado no Oceano Índico Ocidental.

De acordo com o PNUMA, em muitas partes do mundo, particularmente em países de baixa e média renda, ainda há dados muito limitados sobre o acúmulo de plástico, o que dificulta ações de combate a todo esse lixo.

Apesar de abrigar alguns dos países com menor emissão de plástico do mundo, a região do Oceano Índico Ocidental, onde fica o arquipélago de Lamu, é um dos locais mais impactados pelos resíduos desse material.

Esta não foi a primeira expedição do Flipflopi. Em 2019, a embarcação navegou 500 quilômetros de Lamu até Zanzibar, na Tanzânia, como parte da iniciativa “Mares Limpos”, do PNUMA, promovendo conscientização internacional sobre o impacto da poluição plástica na região.

Débora Spitzcovsky – Jornalista. Fonte: The Green Post. Este artigo não representa necessariamente a opinião da Revista Xapuri e é de responsabilidade da autora. 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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