PACTO NACIONAL DE PREVENÇÃO AOS FEMINICÍDIOS

Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios é anunciado pelo governo

No encerramento da 7ª edição da Marcha das Margaridas, realizada na quarta-feira (16), em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a criação do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, atendendo ao terceiro dos 13 eixos de reivindicação pautados pelas trabalhadoras do campo. As ações de governo serão coordenadas pelo Ministério das Mulheres, com o objetivo de prevenir as mortes violentas de mulheres.

Margarida Maria Alves – “Da luta eu não fujo”

Por Mídia Ninja/Redação

A primeira medida do pacto, apresentada pela pasta das mulheres, será a entrega de 270 unidades móveis para atendimento direto de acolhimento e orientação às mulheres. Serão entregues 10 carros para deslocamento das equipes de atendimento e para transporte de equipamentos. O Ministério vai encaminhar a aquisição de barcos e lanchas para as mulheres das florestas, das águas e do Pantanal.

O Pacto conta com um comitê gestor que, além do Ministério das Mulheres, conta com os ministérios da Igualdade Racial; Povos Indígenas; dos Direitos Humanos e da Cidadania; da Justiça e Segurança Pública; da Saúde; da Educação; do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome; de Gestão e Inovação em Serviços Públicos; do Planejamento e Orçamento; e Casa Civil da Presidência da República.

Durante a Marcha, o governo anunciou outras medidas que vão ao encontro das reivindicações das trabalhadoras rurais, como a criação do Fórum Nacional Permanente de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres do Campo, da Floresta e das Águas e o Fórum para a Promoção de Estratégias de Fortalecimento de políticas públicas de autonomia econômica e cuidado com mulheres da pesca, aquicultura artesanal, marisqueiras e outras trabalhadoras das águas.

Uma parceria firmada com os Correios garante às mulheres o envio de cartas ao canal de denúncias Ouvidoria Mulheres sem custo de remessa.

Com informações da Agência Brasil.

Fonte: Mídia Ninja. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil.

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O Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios foi instituído em 16 de agosto de 2023, pelo Decreto nº 11.640/2023, com o objetivo de prevenir todas as formas de discriminação, misoginia e violência de gênero contra mulheres e meninas, por meio da implementação de ações governamentais intersetoriais, com a perspectiva de gênero e suas interseccionalidades.

Previsto para funcionar como um instrumento de articulação e operacionalização dos objetivos, diretrizes e princípios constantes da Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, o Pacto envolve várias áreas do governo federal com a coordenação do Ministério das Mulheres, prevê a adesão de estados e municípios e a participação do conjunto da sociedade.

Banner cartilha do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios

 
Banner Feminicídio Zero

 

Conheça os três eixos estruturantes

  1. PREVENÇÃO PRIMÁRIA: ações planejadas para evitar que a violência aconteça e que visem a mudança de atitudes, crenças e comportamentos para eliminar os estereótipos de gênero, promover a cultura de respeito e não tolerância à discriminação, à misoginia e à violência com base no gênero e em suas interseccionalidades. As ações visam construir relações de igualdade de gênero, envolvidas as ações de educação, formal e informal, com a participação de setores da educação, da cultura, do esporte, da comunicação, da saúde, da justiça, da segurança pública, da assistência social, do trabalho e do emprego, dentre outros;

  2. PREVENÇÃO SECUNDÁRIA: ações planejadas para a intervenção precoce e qualificada que visem a evitar a repetição e o agravamento da discriminação, da misoginia e da violência com base no gênero e em suas interseccionalidades. São desenvolvidas por meio das redes de serviços especializados e não especializados nos setores da segurança pública, saúde, assistência social e justiça, dentre outros, e apoiadas com o uso de novas ferramentas para identificação, avaliação e gestão das situações de risco, da proteção das mulheres e da responsabilização das pessoas autoras da violência; 

  3. PREVENÇÃO TERCIÁRIA: ações planejadas para mitigar os efeitos da discriminação, da misoginia e da violência com base no gênero e em suas interseccionalidades e para promover a garantia de direitos e o acesso à justiça por meio de medidas de reparação, compreendidos programas e políticas que abordem a integralidade dos direitos humanos e garantam o acesso à saúde, à educação, à segurança, à justiça, ao trabalho, à habitação, dentre outros.

Comitê Gestor

Coordenado pelo Ministério das Mulheres, as ações são deliberadas pelo Comitê Gestor do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, que conta com a participação da Casa Civil e de representantes de outros 10 ministérios. Integram o Pacto:   

  1. Ministério das Mulheres, que o coordena;
  2. Casa Civil;
  3. Ministério da Justiça e Segurança Pública; 
  4. Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome; 
  5. Ministério da Saúde;
  6. Ministério da Educação; 
  7. Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos; 
  8. Ministério do Planejamento e Orçamento; 
  9. Ministério da Igualdade Racial; 
  10. Ministério dos Povos Indígenas;
  11. Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Atos normativos

  • Decreto 11.640/2023
  • Portaria do Regimento Interno
  • Portaria de designação dos Membros do Comitê Gestor

Ata das Reuniões

  • Ata da 1ª Reunião Ordinária do Comitê Gestor – 16/10/23
  • Ata da 1ª Reunião Extraordinária do Comitê Gestor – 17/11/23
 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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