Governo reconstrói proteção e derruba garimpo na Terra Yanomami
Com 9 mil operações e ação federal integrada, área destruída cai 98,77%, rotas do garimpo são desmanteladas e comunidades indígenas retomam práticas tradicionais
A marca de 9 mil operações evidencia que, quando há decisão política e coordenação entre os órgãos públicos, a vida indígena e a floresta voltam a respirar.
No auge da devastação, em 2024, o garimpo ocupava 4.570 hectares da Terra Yanomami. Em dezembro de 2025, essa área havia despencado para 56,13 hectares — um recuo histórico que desmonta a estrutura econômica e territorial que sustentava a mineração ilegal.

Garimpo em TI Yanomami – Foto: Bruno Kelli/Amazônia Real
Estado presente e política pública ativa
O avanço das operações coordenadas pela Casa de Governo em Roraima demonstra o impacto direto de uma política pública que, em vez de abandonar territórios, atua para reconstruí-los. A força-tarefa reúne ICMBio, Ibama, Funai, Ministério dos Povos Indígenas, Polícia Federal, Força Nacional, Exército, Força Aérea e outros órgãos, combinando fiscalização, inteligência, bloqueio aéreo e fluvial e vigilância permanente.
Em 2025, 80% da fiscalização do ICMBio foi destinada ao combate direto ao garimpo, com foco nas Unidades de Conservação que cercam a Terra Yanomami — áreas estratégicas tratadas pelo governo como barreiras ecológicas que impedem o avanço da destruição.
O monitoramento oficial aponta também que o desmatamento foi zerado em sete das oito Unidades de Conservação federais com presença Yanomami. A exceção, a Floresta Nacional de Parima, ainda reflete pressões recentes. A recuperação dessas áreas reforça a visão de que conservação, soberania territorial e proteção indígena caminham juntas e são indissociáveis de uma política ambiental robusta.
Golpe na economia do garimpo
Nos últimos dois anos, as operações causaram um impacto superior a R$ 642 milhões na cadeia ilegal do ouro. O Estado não mirou apenas os garimpeiros em campo, mas todo o ciclo econômico que alimentava a destruição: 249 kg de ouro apreendidos, sendo 213 kg só em 2025; 232 kg de mercúrio confiscados, reduzindo a contaminação dos rios; 45 aeronaves e 77 pistas clandestinas destruídas; 762 acampamentos desmontados, inviabilizando a infraestrutura que sustentava o garimpo de médio porte.
Ao desarticular as rotas de abastecimento e escoamento, o governo desmontou a espinha dorsal do garimpo ilegal.
Comunidades retomam atividades
A redução drástica de invasores trouxe impactos diretos na segurança das comunidades Yanomami, das equipes de saúde e dos agentes ambientais. Com o recuo do garimpo, conflitos diminuíram, a circulação de criminosos foi reduzida e diversas comunidades retomaram atividades tradicionais — como roças, pesca e caça — fundamentais para a autonomia cultural e alimentar dos indígenas.
Entre 2021 e 2022, a Terra Yanomami viveu uma das piores crises de sua história recente, marcada por explosão de malária, desnutrição, contaminação por mercúrio, violência e avanço de estruturas de mineração permanente. A ausência de fiscalização transformou o garimpo numa operação de médio porte, semelhante à realidade das décadas anteriores à demarcação.
A virada atual demonstra que políticas públicas baseadas em ciência, direitos humanos e proteção ambiental são capazes de reverter tragédias profundas e reconstruir vidas — desde que o Estado se faça presente, firme e comprometido.
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com informações do Governo Federal
Militares interditam pista de pouso clandestina utilizada por garimpeiros ilegais na Terra Indígena Yanomami | Foto: Bruno Mancinelle / Casa de Governo