A MAGIA DO REINO VEGETAL
As plantas estão associadas, desde tempos muito velhos, a rituais mágicos. O uso da planta viva é conhecido como modificador do corpo, sobretudo quando muito aromática, visto que o perfume não só agrada, como diz que tonifica
Por Henda
A planta morta serve, não somente a curas, como, também, a defumadores que preparam o ambiente para o descenso das divindades, ou agastam espíritos nocivos.
Fala-se, também, de plantas ressuscitadas por processos ocultos, cujos arcanos não podem ser publicados. Essas plantas, resseivadas, destinam-se a cultos exotéricos.
Para os gregos antigos, cada parte da planta correspondia aos auspícios de um deus diferente. A raiz dizia respeito a Cronos, a semente e a casca a Hermes, o lenho e o tronco a Áries, as folhas, a Selene, as flores, a Afrodite e os frutos, a Zeus.
Além disso, cada planeta e cada deus exercia sua influência sobre as plantas de suas preferências. As plantas influenciadas pela deusa do amor –Afrodite ou a Vênus dos romanos – são todas belas e possuem sabor agradável, produzindo flores de perfume suave e sementes em abundância. Geralmente, são afrodisíacas.
Quando o planeta Júpiter se encontra perto de Vênus, a planta nasce forte e cheia de virtudes. Se, por acaso, a influência de Mercúrio se fizer sentir quando Vênus se encontra perto de Júpiter, então a planta nascerá ainda mais bela e perfeita e suas flores serão azuis e brancas. Preferidas por Vênus, a deusa do amor, são a rosa, a violeta, a murta, a flor de laranjeira e a íris.
As flores têm sido usadas, desde muito tempo, em trabalhos de magia e, todas elas, têm suas histórias e lendas. A cada uma atribui-se um poder.
Em feitiçaria, as flores podem ser usadas como talismãs ou amuletos, ou então, quando secas, em incensos ou purificadores. Entram em beberagens ou filtros de amor com seus sumos perfumados de grande influência mágica e, quando ativadas, transmitem seu poder.
A magia do reino vegetal reside no conhecimento do espírito das plantas. Esse conhecimento orienta o uso das flores em artes mágicas. Para que o exercício dos poderes das flores se realize plenamente, é preciso que certas regras sejam observadas.
Essas regras dizem respeito às horas de colheita, à secagem das folhas e flores e, sobretudo, às combinações de suas essências. Por exemplo, as flores colhidas na véspera de São João retêm mais força do que no resto do ano.
Em geral, as plantas que se destinam a ritos mágicos devem ser colhidas entre meia noite e oito horas da manhã. Sabe-se, igualmente, que a 2ª hora do dia de sábado, é muito propícia às plantas usadas em fórmulas mágicas.
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Henda da Rocha Freire, em “Segredos de Tias e Flores”, editora Relume-Dumará, 1994.