Não me venham com crepúsculo Que chego armado de auroras
Ao 24 de janeiro [de 2018]
Por Pedro Tierra
Onde eles dizem paz,
Eu digo justiça
Exijo prova.
Onde impõem silêncio
Entoo canções.
Quando lustra algemas
Invento caravanas.
Onde defendem mercado,
Afirmo pátria
Onde dizem casta
Respondo classe.
Onde erguem o tribunal
Convoco a Praça.
Onde dizem ordem
Eu digo liberdade.
Não me venham com crepúsculo
Que chego armado de auroras
Para reacender as cinzas
Do nosso gasto coração.

Sobre o autor
Hamilton Pereira da Silva (Porto Nacional, 1948), conhecido pelo pseudônimo de Pedro Tierra, é um poeta e políticobrasileiro
Morou em Anápolis, onde completou o segundo grau mas abandonou os estudos para se dedicar à luta contra a ditadura militar, militando na Aliança Libertadora Nacional (ALN).
Em 1972, aos 24 anos, foi preso e torturado em quarteis do Exército em Goiás e Brasília, onde era mantido incomunicável. Foi transferido para o DOI-Codi de São Paulo, em seguida para o Presídio do Barro Branco, da Polícia Militar paulista, e finalmente para prisões civis.
No período em que esteve preso, não tinha permissão para usar caneta ou papel. Um dia, porém, durante um interrogatório, aproveitando um intervalo em que havia sido deixado sozinho na sala, pegou um lápis que estava na mesa do interrogador. Na cela, usou-o para escrever no lado interno de um maço de cigarros.
Começou assim a compor seus primeiros versos. Conseguiu enviar os poemas para fora do presídio, para serem publicados clandestinamente na Itália, sob o título de Poemas do povo da noite e com o pseudônimo de Pedro Tierra. A obra ganhou menção honrosa no Prêmio Casa de las Américas de 1978, mas só foi publicada no Brasil em 1979.
Deixou a prisão em 1977 e passou a atuar na organização de sindicatos de trabalhadores rurais. Ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e a Central Única dos Trabalhadores. De 1997 a 1998, foi secretário de Cultura do Distrito Federal.
Coordenou a área de cultura na campanha vitoriosa de Luís Inácio Lula da Silva em 2002. Trabalhou no Ministério do Meio Ambiente durante o primeiro mandato de Lula. Em 2011, voltou a comandar a Secretaria de Cultura do Distrito Federal.
Recebeu em 2013 o título de Doutor honoris causa da Universidade Católica de Brasília. Em 2014, recebeu um novo título de doutor honoris causa. Dessa vez da Universidade Federal do Tocantins, UFT. Fonte: Wikipedia

Pedro Tierra – Foto: EBC
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Outra parte do dinheiro teria sido recebida por meio do pagamento das despesas de armazenamento do acervo presidencial acumulado por Lula em seus oito anos de mandato. Quatro dias depois, Moro aceitou a denúncia, tornando Lula réu na Lava Jato. A partir daí teve início a ação penal.
– 04/03/2016 : Houve condução coercitiva de Lula para depor à Polícia Federal, autorizada por Moro. A defesa também questionou interceptações telefônicas feitas no escritório de Roberto Teixeira, um dos advogados do ex-presidente. As gravações acabaram anuladas como prova.
– 14/08/2016: O procurador da República Deltan Dallagnol apresenta denúncia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro contra o ex-presidente. Na ocasião, os procuradores apontaram Lula como “comandante” do esquema de corrupção na Petrobras.
– 20/04/2017: Após quatro meses preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, em decorrência de outras ações, o empresário Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, depõe contra Lula no processo, e afirma que havia reservado o triplex para Lula.
– 10/05/2017: Lula e Moro ficam frente à frente pela primeira vez. Na ocasião, o ex-presidente negou ser dono do triplex no Guarujá (SP), afirmando que nunca ocupou o imóvel ou ter tido sequer a intenção de comprá-lo. A defesa reafirmou não haver nenhum documento a comprovar que a unidade seria de propriedade de Lula.
– 12/07/2017: Moro proferiu sua sentença, na qual condenou Lula a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
– 12/09/2017: A defesa do ex-presidente recorreu contra sentença ao Tribunal Regional da 4ª Região (TRF4), segunda instância da Justiça Federal, com sede em Porto Alegre. Na apelação, os advogados argumentam que houve uma série de equívocos durante a tomada de depoimentos.
– 24/01/2018: Os desembargadores da Oitava Turma do TRF4 decidem ampliar a punição a Lula para 12 anos e um mês, em regime fechado, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá (SP).
– 20/02/2018: Advogados do ex-presidente recorrem ao próprio TRF4 contra decisão de prisão sob a alegação de que viola a Constituição.
– 27/03/2018: A defesa de Lula recorre, novamente, ao TRF4 contra a decisão de pena em regime fechado.
– 04/04/2018: Em sessão que durou mais de 9 horas, o Supremo Tribunal Federal (STF), por um placar de 6 x 5, rejeitou habeas corpus preventivo apresentado por Lula para evitar uma eventual prisão.
– 05/04/2018: O juiz Sérgio Moro determina que o ex-presidente se apresente à Polícia Federal até as 17h do dia seguinte para cumprir a pena em regime fechado.
– 06/04/2018: Há protestos contra e a favor da decisão do Supremo. Em São Paulo, Lula se reúne com a cúpula do PT e sindicalistas. É aguardada a manifestação dele.
* Colaborou Felipe Pontes
* Texto alterado às 20h31 para correção de informação. O julgamento da Oitava Turma do TRF4 ocorreu no dia 21/01/2018










