BENTO DE SUMÉ: BELAS CRIAÇÕES EM ESCULTURAS DE MADEIRA

Bento de Sumé: as criações de animais e santos em esculturas de madeira

Espalhadas pelo quintal da casa de Bento Medeiros Gouveia, a madeira é aparentemente um entulho. No quarto ao fundo, o chão batido está salpicado de tintas. Envolta as aves reunidas estariam prontas para o voo se não fossem feitas de imburana, árvore típica da Caatinga nordestina. Na cidade do Cariri paraibano, Bento de Sumé fabrica arte.

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Foto: Novos Para Nós

Natural de Sumé, Bento morou muitos anos em São Paulo onde trabalhava como prestador de serviços. Depois de um atropelamento, não conseguiu mais voltar a antiga função e decidiu retornar ao estado natal.
Quando já estava na Paraíba, encontrou perto de casa um palete de madeira. Do material resolveu criar algum trabalho artístico: pássaros. Desde então, o escultor tem se dedicado a transformar objetos em peças com status de arte.

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Foto: Reprodução

As esculturas de Bento de Sumé são reconhecidas por lojistas, arquitetos, decoradores e colecionadores de todo o Brasil. O trabalho do artista começou a ser comercializado na feira livre da cidade de Sumé. Só em 2005 o escultor ganhou o reconhecimento no estado e fora dele.
Mesmo esculpindo peças diversas, são mesmos os bichos o tema preferido do artista. De todo o trabalho, o maior desafio são as curvas que os troncos da madeira empregam na matéria-prima.
Bento se diverte com desenho que a própria natureza criou. “A melhor parte de viver é criar”, comenta.

Esculturas de Bento de Sumé
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Foto: Divulgação
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Foto: Divulgação
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Foto: Divulgação

Fonte desta matéria: http://www.conexaoboasnoticias.com.br/bento-de-sume-as-criacoes-de-animais-e-santos-em-esculturas-de-madeira/ Com informações: TV Cariri / Novos Para Nós / Arte Popular Brasil

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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