Hand Talk: Aplicativo brasileiro que traduz português para libras ganha prêmio do Google

Hand Talk: Aplicativo brasileiro que traduz português para libras ganha prêmio do Google

Por: Vitor Paiva

Quando dizemos que uma boa ideia pode mudar a vida das pessoas, muitas vezes falamos de forma indireta ou simbólica – mas no caso do app Hand Talk, tal sentido é literal e direto. Trata-se de um aplicativo que traduz mensagens do português para Libras, a língua brasileira de sinais – incluindo e permitindo a comunicação de tantos deficientes visuais no Brasil. Simples e transformador, o Hand Talk foi premiado no Desafio Google de Impacto em Inteligência Artificial.

A seleção trouxe ao app um prêmio de 5 milhões de dólares, uma consultoria do Google e a inclusão do Hand Talk numa aceleradora de empresas. O propósito do aplicativo se encaixa perfeitamente no espírito do prêmio, que procura justamente organizações que criem soluções para os grandes problemas atuais. Todos os vencedores tratam de temas como saúde, economia, empoderamento, meio ambiente, educação e mais. 2062 empresas de 119 países se inscreveram para concorrer ao prêmio.

Os criadores do App, junto do personagem Hugo, avatar que realiza a tradução

 

A empresa foi criada em 2012 por Ronaldo Tenório, que desenvolveu um avatar que pode ser adicionado em sites, e como um app para smartphones capaz de transformar o texto em português na linguagem de sinais. Hand Talk foi uma das 20 empresas selecionadas essa semana pelo Google – e o app pode ser baixado para iPhone ou Android gratuitamente.


 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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