“FALEMOS SÉRIO: O BRASIL NÃO´É MAIS UMA DEMOCRACIA”

“Vamos falar sério. O Brasil não é mais uma democracia”

Vamos falar sério. O Brasil não é mais uma democracia. Vivemos numa ditadura. Não absoluta, mas uma ditadura.
Começaram reduzindo direitos trabalhistas, depois sociais, agora civis.
Renato Janine Ribeiro
 Podem matar jovens com o estímulo dos governos (excludente de ilicitude etc). Podem manipular provas para condenar sem pleno direito de defesa. Podem dissolver conselhos de direitos da criança.
 
Podem botar fogo na Amazônia. Podem ofender mulheres e ainda achar graça. Podem depois mentir que não, não ofenderam. Podem invadir uma feira do livro, tentar impedir Glenn Greenwald de falar, impedir Miriam Leitao de falar em outra, tentar confiscar livros em pleno Rio de Janeiro.
 
E enquanto isso, as tais instituições ficam mudas e quedas.
 
Isso é democracia? Não.

Cada dia o regime é mais ditatorial, e isso embora seus dirigentes sejam trapalhões – os governantes mais ineptos que este País já teve.

Este 7 de setembro vamos lutar pela volta da democracia.

Todos na rua!

Vamos de preto, sim.

Para transformar LUTO de substantivo em verbo!!!

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“PARA SER ÍNDIO TEM QUE TER JEITO DE ÍNDÍO”

Para ser índio tem que ter jeito de índio. Tem que ter arco, flecha, borduna, cocar, colar de dente de macaco.
Por Timairû Kayabi
Para ser índio, tem que ter sua festa, saber caçar, pescar, fazer artesanato, e, se for casado, morar junto com o sogro.
Fazer roça, plantar, fazer canoa e remo.
Ser tiver festa, tem que dançar para alegrar a família da sua esposa.
Índio tem que ter cabelo comprido, comer as comidas que se encontra, como: macaco, anta, tatu, veado, porco, jacu, mutum, jacamim, tracajá, etc.
Para ser índio tem que comer comida assada no fogo com farinha de beiju, tomar mingau de farinha.
Para ser índio, tem que trabalhar bastante na roça, plantar banana, batata, cará, amendoim, milho, depois tem que colher o que foi plantado.
Para ser índio, tem que bater timbó no lago onde os peixinhos ficam presos. Depois chamar outras pessoas para ajudar a comer os peixinhos que vão morrer no lago.
Para ser índio, tem que fazer tudo o que for.
Timairû Kayabi – Escritor indígena em “Geografia Indígena” – Instituto Socioambiental, 1988.  

SOBRE O POVO INDÍGENA KAYABI

Em sua grande maioria, o  povo indígena Kawaiwete, Kayabi, Kaiabi, Kajabi, Cajahis, Caiabi, composto de um pouco mais de 1.800  pessoas (1855 – Censo Funas/2010) vive em maioria no Parque Indígena do Xingu, no norte do Estado do Mato Grosso.  Existem, também, outros pequenos grupos vivendo  na Reserva Indígena Apiaká-Kayabi, próxima ao Rio Teles Pires, no Mato Grosso, e nas Áreas Indígenas Cayabi (Gleba Sul), no sudoeste do Pará.
Os Kayabi, cuja origem do nome é desconhecida pelos próprios Kayabi,  falam a  língua Caiabi, da família linguística tupi-guarani. O mais próximo da autodenominação, segundo estudos do etnógrafo Georg Grunberg,  que pesquisou os Kayabi nos anos 1960, seria o termo  Iputunuun, que significaria “o nosso pessoal”.  A maioria dos Kayabi são bilíngues, falam também o Português. Os Kayabi que vivem fora da região do Xingu não falam mais a língua nativa.
Os Kayabi tem sua história marcada pelo contato conflituoso com seringueiros no século XIX. Esta situação conflituosa marcada pela resistência dos Kaiabi aos invasores de suas terras, assim como pelo desamparo dos índios na luta por suas terras, modificou-se com a chegada dos irmãos Villas-Boas.
Os Kayabi colaboraram na expedição Roncador-Xingu, assim como no processo de pacificação e desbravamento da região.
Devido ao envolvimento dos Kaiabi na expedição assim como devido aos problemas que os índios enfrentavam na região, em 1966, os irmãos Villas-Boas conduziram a “Operação Kayabi” na qual os Kaiabi foram gradativamente sendo transferidos de avião para o Parque nacional do Xingu. Os Kayabi são exímios artesãos, especializados na produção de belíssimas peneiras.
Fontes: pib.socioambiental.org   prodoclin.museudoindio.gov.br  pt.wikipedia.org

kaiabi_5Foto: socioambiental.org
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KRENAK, O POVO 1CABEÇA DA TERRA’

O nome Krenak é constituído por dois termos: um é a primeira partícula, kre, que significa cabeça, a outra, nak, significa terra. 

KRENAK, O POVO "CABEÇA DA TERRA"
Dança Krenal na Serra do Cipó – Foto: José Caldas

Por Ailton Krenak
Krenak é a herança que recebemos dos nossos antepassados, das nossas memórias de origem, que nos identifica como “cabeça da terra”, como uma humanidade que não consegue se conceber sem essa conexão, sem essa profunda comunhão com a terra.
Não a terra como um sítio, mas como esse lugar que todos compartilhamos, e do qual  nós, os Krenak, nos sentimos cada vez mais desraigados – desse lugar que para nós sempre foi sagrado, mas que percebemos que nossos vizinhos têm quase vergonha de admitir que pode ser visto assim.
Quando nós falamos que o nosso rio é sagrado, as pessoas dizem: “Isso é algum folclore deles”; quando dizemos que a montanha está mostrando que vai chover e que esse dia vai ser um dia próspero, um dia bom, eles dizem: “Não, uma montanha não fala nada”.
Quando despersonalizamos o rio, a montanha, quando tiramos deles os seus sentidos, considerando que isso é atributo exclusivo dos humanos, nós liberamos esses lugares para que se tornem resíduos da atividade industrial e extrativista.
Do nosso divórcio das integrações com a nossa mãe, a Terra, resulta que ela está nos deixando órfãos, não só aos que em diferente graduação são chamados de índios, indígenas, mas a todos.
Tomara que estes encontros criativos que ainda estamos tendo a oportunidade de manter animem a nossa prática, a nossa ação, e nos deem coragem para sair de uma atitude de negação da vida para um compromisso com a vida, em qualquer lugar, superando as nossas incapacidades de estender a visão a lugares …
para além daqueles a que estamos apegados e onde vivemos, assim como às formas de sociabilidade e de organização de que uma grande parte dessa comunidade humana está excluída, que em última instância gastam toda a força da Terra para suprir a sua demanda de mercadorias, segurança e consumo.
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Ailton KrenakLíder Indígena. Pensador. Filósofo. Em “Ideias para adiar o fim do mundo”. Companhia das Letras. 2019.
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RIO AMAZONAS: ÁGUAS, NOMES E MISTÉRIOS

Amazonas. De todos os rios do mundo é o mais extenso. São mais de seis mil quilômetros. É também o mais caudaloso, o de maior volume de água. É um rio que sabe por onde vai e donde vem. Vem do fio de água que desde do lago Lauri, Lauricocha, na cabeça dos Andes.
Por Thiago de Mello
rio amazonas free pick
Foto: Free Pick 
Ele desce do vilcanota e vai tomando corpo no Urubamba, um riozino que canta de noite nas suas margens muradas pelas mãos dos Incas.
Águas de barro, ele ganha no Ucayali; logo se engrossa no longo Maranõn, para abrir-se no caudal do Solimões, estendendo os incontáveis braços sinuosos pela selva peruana, mas já aprofundando a sua calha principal, para entrar no Brasil como mesmo nome, entre as árvores que vai arrancando das margens ao fragor das barrancos que se despencam.
Bem pertinho de Manaus, capital do estado que tem o mesmo nome do rio, é que ele passa a ser chamado Amazonas.
A partir do lugar (dizem que ali a Iara aparece) onde se juntam as águas barrentas do Solimões com as brilhantes e pretas do Negro, é o chamado encontro das águas, que atrai turista do mundo inteiro para contemplar o mistério: as duas águas não se misturam, são como azeite e vinagre.
Só que o Amazonas continua com a cor barrenta do Solimões, levando ímpetos e os rebojos do Negro.
__ Por que não se misturam? perguntei um dia ao sábio e querido caboclo Jari Botelho.
__ Os dois rios não se misturam porque são muito orgulhosos já demais.
O estado do Amazonas, espaço geográfico da nossa crônica, faz parte da Amazônia brasileira, também chamada Amazônia Legal, que abrange nove estados: Pará, Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Goiás, Mato Grosso e Maranhão.
Rio amazonas uol
Foto: UOL
Já a nossa Amazônia se inclui na Pan-Amazônia, que cobre de verde parte dos territórios da Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela e Guianas. 
São quase oito milhões de quilômetros quadrados de florestas e rios, com as suas borboletas, pirilampos, multidão de ´pássaros, milhares de peixes (estão classificadas mais de três mil espécies), orquídeas, cobras grandes e pequenas, coloridas e venenosas, bromélias rubras, árvores altíssimas centenárias, samambaias rasteirinhas, flores aquáticas lilases, campinas que cantam no vento, tudo recoberto pelo silêncio que desce das estrelas enormes.
Thiago de Mello – Poeta maior do Brasil e da Amazônia, em “Amazonas: Águas, Pássaros, Sereias e Milagres”, Editora Salamandra, 1998. Título original do texto: Os números (página 12). Foto de capa: UOL. 
Rio Amazonas Adventure Club 1
Foto: Adventure Club
 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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