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A importância do despertar político na Juventude

A importância do despertar político na Juventude

O movimento estudantil teve como objetivo mudanças políticas e ambientais que se preocupavam com o futuro das próximas gerações.

Por Maria Letícia Marques Menezes

Em  1988, a luta por mudanças teve resultados. Neste ano, foi aprovado o voto facultativo de pela juventude, que a muito tempo já lutavam por seus direitos de escolher seus representantes políticos.

 

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União da Juventude Socialista conquista o direito de votar aos 16 anos – 1988

A forte revolta estudantil trouxe resultados surpreendentes. A consciência política e social dos jovens daquela época parecia mais aguçada que atualmente. Apesar de ainda não existirem redes sociais como as de hoje e menos meios de propagar informações, mesmo assim as ruas eram preenchidas de jovens buscando mudanças para suas vidas.

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Jovens festejam, no Congresso, aprovação do voto facultativo para eleitores de 16 anos, em 1988 — Foto: Sérgio Marques/Agência O GLOBO.

O COMBATE À DESINFORMAÇÃO NO

Todas as eleições são decisivas e importantes para o Brasil, mas o ano de 2022 tem um peso único na história atual do país. Em 2018, as eleições foram marcadas por uma quantidade preocupante de fake news. Infelizmente, vimos uma grande massa da população acreditando e disseminando informações falsas.

Além disso, o apelo clássico dos candidatos para o populismo e a religiosidade cristã comoveu mais uma grande parte da população. Mas por qual razão os candidatos continuam fazendo isso?

A resposta é óbvia: querem persuadir a grande massa da população que não possui conhecimento político suficiente. Há anos fazem isso e continua dando certo!

O grande temor de todos é que 2018 se repita. Para evitar essa tragédia é importante que informações verdadeiras derrubem as falsas sempre.

Mas sendo realista, a maioria das pessoas preferem passar o dia deslizando o dedo nas redes sociais sem estimular o pensamento crítico, engolindo informações em vez de analisar se as mesmas são verídicas ou não. Surge outra pergunta óbvia: se a política é tão importante para nossas vidas, porque as pessoas a trata com tanta indiferença e superficialidade? Porque não dão a atenção devida?

Historicamente falando, as pessoas caíram em um comodismo gigantesco acerca de sua própria humanidade, quem dirá para a política. Mas parte desse problema é nas escolas, e o governo não quer que você saiba. Se você não sabe, fica mais fácil de te manipular.

Se você não tem conhecimento, você é só mais um na multidão de alienados. Portanto, desenvolver um senso crítico é o primeiro passo para quebrar essa realidade tão cômoda para os ricos e políticos.

ACORDAR É DIFÍCIL, MAS VALE A PENA

A priori, vale ressaltar que vários filósofos enfatizaram que conhecimento transforma o mundo. Um deles foi o Francis Bacon, que deixou sua mais famosa e coerente frase: “ Conhecimento é poder”. Ou então, o filósofo Kant, que diz:

“É no problema da que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade”. Esse pensamento é especialmente importante, levando em conta o potencial racional de todos os seres humanos, e seu poder agregador.

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Ubes – União Brasileira de Estudantes Secundaristas

Há milhares de estudiosos que poderíamos citar, que sempre incentivaram o movimento político das massas de jovens, trabalhadores, mulheres, negros e etc. Sempre com objetivo de despertar consciência na grande massa que parece estar numa espécie de transe; presas em sua rotina cansativa, cheias de problemas mentais que nem sabem que existem, tristes e cansadas demais para pensar que estão dentro de uma caixa. A mão de obra barata que move esse país é a mesma que colabora inconscientemente para a perpetuação dessa sutil, mas às vezes não é tão silenciosa assim.

SOLUÇÕES SIMPLES QUE SÃO IGNORADAS

As escolas deveriam ser mais que instituições de alfabetização, pois elas são também parte do corpo que move a desse país, e deveriam ser responsáveis por formar cidadãos conscientes.

Ao passar dos anos, podemos observar que a educação brasileira tradicional não acompanha as mudanças sociais e tecnológicas do mundo. Economia, política, educação sexual e africana e dos povos tradicionais deveriam ser parte obrigatória no ensino de qualquer jovem deste país.

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UNE e Entidades Representantes da 1ª Jornada de Lutas da Juventude Brasileira — Biblioteca da Presidência

É cada vez mais comum encontrar um jovem com argumentos ou apoiando políticos que o prejudicam. É surreal encontrar um jovem indo contra seus próprios direitos inconscientemente, apoiando ideologias sem o mínimo de senso crítico.

As escolas deveriam cumprir um papel social mais responsável, incentivando a consciência política dos estudantes e ensinando os os processos governamentais como também como analisar propostas de lei. Palestras sobre como entender e defender seus direitos como cidadãos deveriam ser fundamentais.

O mesmo jovem brasileiro de décadas atrás lutou por melhorias e venceu. Para onde foi nossa energia para reivindicar direitos e exigir mudanças? Como ficamos tão acomodados?

Vale ressaltar que esse texto não é sobre partidos; o único lado que apoio é o da verdade. Nossa esperança não deveria estar em uma só pessoa. Nosso sonho não deveria estar sempre à mercê de algum homem, de meia idade, branco e rico.

A política não nasceu para segregar, a democracia não funciona bem sem sabedoria. Por essa razão, a educação é tão importante para o processo de transformação social e política e consequentemente para as outras esferas públicas e humanitárias.

Maria Letícia Marques – Colunista voluntária da . Este artigo não representa a opinião da Revista e é de responsabilidade da autora. Foto Capa: Reprodução/Internet.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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