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A vez da floresta… será?

A vez da floresta… será?

“Destruir matos virgens, nos quais a natureza nos ofertou com mão pródiga as melhores e mais preciosas madeiras do mundo, além de muitos outros frutos dignos de particular estimação, e sem causa, como até agora se tem praticado no Brasil, é extravagância insofrível, crime horrendo e grande insulto feito à mesma natureza”. A advertência feita por José Bonifácio de Andrada e Silva – tutor de Pedro II e, ao lado dele, o maior homem de estado brasileiro de todos os tempos – em pronunciamento já em 1821, bem que poderia inspirar aqueles que dizem acreditar num futuro digno para o Brasil.

 
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José Bonifácio, o Patriarca

Pressionados e acantonados por governos e investidores de todo o mundo, numa proporção só vista quando os ingleses nos impuseram a abolição dos escravos no século XIX, os endinheirados brasileiros – elite nunca tivemos de verdade – saltaram na jugular do general Mourão exigindo, com todas as letras, o fim da destruição da Amazônia, do Cerrado e a definição de um projeto de bioeconomia para o Brasil. “A tríplice hélice entre governo, empresas e universidades poderá ser o motor de propulsão da bioeconomia, disse o vice-presidente da República e dirigente do Conselho Nacional da Amazônia, num artigo da edição especial, do mês de julho, da revista Interesse Nacional dedicada à bioeconomia.

Rubens Barbosa dirige a Revista Interesse Nacional e o Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior. O Irice, de Rubens Barbosa, e o Instituto Escolha, que tem como dirigentes o economista Marcos Lisboa e o Cientista Político Ricardo Sennes, integram a estrutura de apoio técnico aos bancos, aos empresários e aos investidores internacionais empenhados no refazimento da economia mundial, com foco na bioeconomia no pós-pandemia.Não é por acaso a mea-culpa do general Mourão e seus coronéis e policiais federais aboletados no Conselho Nacional da Amazônia, entumecido de omissão diante do avanço do desmatamento ilegal e do garimpo criminoso na maior floresta do planeta.

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Os presidentes Bolsonaro e Macron

Esta grande guinada teve início com os incêndios no Norte, em agosto do ano passado. Na ocasião, Bolsonaro, no seu melhor estilo de crupiê de bordel, trocou desaforos com presidente da França, Emmanuel Macron, e ainda achou oportuno agredir a esposa do chefe de Estado francês. Nos meses que se seguiram, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles – hoje sem função definida – tocou o terror no Ibama, na Funai, no Inpa e no Inpe. Bolsonaro chegou a cacarejar que iria transformar a Amazônia numa grande Serra Pelada. Já em dezembro do ano passado, o coronavírus indicou que paralisaria o mundo. E o fez!

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Vice-presidente Hamilton Mourão – Foto Orlando Brito

Enquanto Bolsonaro se divertia com suas emas e cloroquinas, o mundo real se refazia. Em junho soaram os primeiros tambores. O comitê da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos EUA se opôs ao acordo comercial entre Brasil e EUA. Quase no mesmo momento o governo da Holanda manifesta-se contra o acordo do Mercosul com a União Europeia. Em seguida, um conjunto expressivo de investidores ameaça sair do Brasil se a destruição da Amazônia não cessasse. No mesmo tom, um documento assinado por 17 ex-presidentes do Banco Central e ex-ministros da Fazenda brasileiros clama por desmatamento zero na Amazônia. A decisão final foi tomada quando da visita dos presidentes do Bradesco, Octavio de Lazari, e do Itaú, Candido Bracher, ao vice-presidente Hamilton Mourão. Disciplinado, o general entendeu a curva dos ventos e perfilou-se diante da realidade.

Há dias, nomes diferentes e interessados na bioeconomia surgem na mídia: UBS – Banco Suíço, Global Family Office, XP, BTG Pactual, BMA – Bolsa de Mercadoria da Amazônia. Mas um deles merece particular atenção: a BlackRock, maior gestora de recursos do mundo. “Os europeus entenderam que as mudanças climáticas são um risco social. Os europeus já estão mudando a forma como investem”, disse há poucos dias Larry Fink, CEO da BlackRock durante um Congresso promovido pela XP.

Fonte: Os Divergentes

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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