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Amo Brasília

Amo Brasília

Por Maria Maia

Amo Bsb com um Amor total e tão sentido

Como se do céu (mar de Lúcio) eu mesma a tivesse parido

Amo Bsb com um Amor imortal

Mirando a blz de Oscar naquela Catedral

Passeando em jardins de Burle Marx

Me farto errando pelo Eixo Monumental

No meio de tudo tem o Teatro

E o Conjunto Nacional

Amo Bsb como mãe e como filha

Em qlqer cidade existe gente-ilha

Amo Bsb da PHU: danço qi gongtai qi no

Norte e no Sul.

Amo Bsb da Água Mineral

Da 508, da 109 e da Torre Digital

Aqui Renato é Matos

E Hugo fez girar as Rodas do Teatro

Aqui vi atrizes: Kukas, Carmens e Bidôs

Contracenando felizes o Amor e a dor

Aqui me deparei na fila do cinema com Clara e Chico Alvim

E até Severino Francisco às vzs fala bem de mim

Adoro a mistura em Bsb do arcaico com o moderno

Pra mim aqui é o céu, não o inferno

Em Bsb plantei filhos e colhi netos

E sinto todos os Athos espalhados pela cidade como eternos

Aqui me deparei com o Amor do Samuel

E cultivo a Arte como um portal para o céu

Adoro olhar todo dia este horizonte aberto

(e ainda tem gente q diz q Bsb é um deserto!)

 

maria maia1Maria Maia – Poeta, Escritora, Cineasta e Conselheira da Revista Xapuri. Foto: Divulgação.

 

 

 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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