Bicentenário da (in)dependência, não há o que comemorar

Bicentenário da (in)dependência, não há o que comemorar

Bicentenário da (in)dependência, não há o que comemorar

Em 2022, no 7 de setembro, deveríamos comemorar a Independência do Brasil. Me vi refletindo por poucos segundos e tive certeza de que não há o que comemorar. A verdade é que vivemos a (in) dependência…

Por Iêda Leal

Um bicentenário de total falta de independência. Temos hoje aqui um país sendo jogado para dependência do povo brasileiro. Dependência de costumes e de um jogo político desonesto que acentuam atos diários que aumentam dia após dia casos de racismo em escolas, nas repartições públicas e privadas, em todos os ambientes da sociedade.  

É machismo, misoginia, LGBTFobia, inúmeras formas de preconceito afirmando o que tem de pior nas manifestações para solidificar desigualdade. Não podemos comemorar a Independência se ainda temos que lutar contra a fome, a miséria; pela Educação pública de qualidade, pelo respeito dos/as trabalhadores/as em Educação de todo o país. 

Como podemos comemorar, se temos hoje a cultura do ódio impregnada em tantos brasileiros que ferem os direitos das mulheres, do nosso povo negro, dos indígenas e quilombolas, de pessoas com deficiência, e promovem ataques às religiões de matriz africana. 

Realmente, nesta data em que deveríamos comemorar o bicentenário da Independência, devemos fazer um exercício de autoavaliação, a começar por nós, e promover a mudança que queremos ver em nosso país e assim contagiar todos/as a nossa volta

https://xapuri.info/lei-maria-da-penha-10-anos-cumpra-se/

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora

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