BIGORNA DE PEDRA ANCESTRAL ENCONTRADA NA ESCÓCIA

BIGORNA DE PEDRA ANCESTRAL ENCONTRADA NA ESCÓCIA
Arqueólogos encontraram na Escócia uma antiga bigorna de pedra que preserva as marcas de mãos e joelhos do antigo caldeireiro
Uma equipe de arqueólogos descobriu um objeto único pertencente aos pictos no arquipélago das Órcades (Escócia).
Dessa confederação tribal, que habitou o leste e o norte da atual Escócia durante a Idade do Ferro e a Alta Idade Média, sobreviveu muito pouco da sua forma de escrita e às vezes é apelidada pela mídia de “povo perdido da Europa”.
Escócia povo perdido
Segundo o jornal The Guardian, a descoberta foi feita na ilha de Rousay em um importante assentamento de pictos que está sendo erodido pelas marés e, por isso, os especialistas se apressam a estudá-lo. Esse assentamento alberga uma pequena estrutura circular de pedra, meio subterrânea, onde os cientistas encontraram uma bigorna de pedra que preserva as marcas de carbono dos joelhos e as mãos de um trabalhador do cobre.

Escócia
Arqueólogos revelam mistério do sarcófago negro encontrado no Egito (FOTOS) | © FOTO: MINISTÉRIO DE ANTIGUIDADES
 

O líder da equipe, Stephen Dockrill, reconheceu que a descoberta das marcas humanas nessa antiga oficina de cobre, que datam de entre 1.000 e 1.500 anos, surpreendeu os arqueólogos. “Uma marca de mão é tão pessoal e individual que quase se pode sentir a presença do caldeireiro e imaginar como deve ter sido trabalhar ali há tantos anos”, disse o cientista.Julie Bond, codiretora das escavações, por sua parte, disse à BBC que “ela nunca viu algo assim” e que a descoberta é “única”.
Fonte: Sputnik Brasil
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Fotografia da pedra descoberta

Fotografia da pedra descoberta – Divulgação/ Univesidade de Alberdeen

 

No início de 2020, um grupo de pesquisadores fazia um levantamento geofísico do sítio arqueológico de Alebermno, da Escócia, antiga vila habitada pelo povo picto, quando descobriu uma pedra de 1.500 anos contendo as típicas marcas deixadas para trás por essa comunidade.
 
 
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Fotografia da pedra descoberta / Crédito: Divulgação/ Univesidade de Alberdeen

 

A pandemia, infelizmente, fez com que a equipe precisasse deixar relíquia onde a acharam. Foi apenas recentemente que a escavação foi finalizada, com a rocha sendo trazida à superfície para análise. 

Ainda não se tem certeza, no entanto, qual o significado exato das marcas esculpidas nas pedras encontradas em Alebermno, que já formam um grupo de por volta de 200 rochas a esse ponto. 

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Gordon Noble, líder da escavação, no local da descoberta / Crédito: Divulgação/ Univesidade de Alberdeen

 

A datação de radiocarbono realizada pelos cientistas ainda revelou que o achado deles havia sido usado para a construção de um edifício séculos depois do povo picto habitar o local, quando a região era parte do Reino de Alba. Assim, a relíquia havia sido relevante em dois períodos históricos separados, tendo funções diferentes em cada um. 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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