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Brasil sofre danos ambientais por falta de ações de conservação biodiversidade

Importância da biodiversidade do país sofre com falta de ações conservação

Concentrando 15% das espécies de animas e plantas mundiais, para Wagner Ribeiro, Brasil ainda não reflete sobre importância da biodiversidade
MARIANA ANTONIO CRUZ EBC/REPRODUÇÃO
ações de conservação
Para o docente, biodiversidade e medidas de conservação poderiam ser usadas como modelo de desenvolvimento

São Paulo – Recentemente, cientistas manifestaram que a importância do Brasil na biodiversidade é maior ainda do que se já se cogitou. Apesar dessa constatação, o professor do programa de Pós-graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (USP) Wagner Ribeiro alerta: a posição de destaque que o país poderia ter frente à discussão, é fragilizada por conta da ausência de políticas de preservação e punição por parte de agentes que prejudicam a natureza.

A exemplo do desastre ambiental do rompimento da barragem de Fundão, na cidade de Mariana, em Minas Gerais, operada pela empresa Samarco e da contaminação de rios por parte de setores que utilizam agrotóxicos, Ribeiro critica – em seu comentário na Rádio Brasil Atual –, que a flexibilização e a falta de fiscalização do governo federal sobre o “acervo” da biodiversidade disponível no Brasil, que chega a concentrar 23% de todos os peixes de água doce do mundo.

“É preciso coibir essas ações e ter muita cautela com o ambiente porque nós temos no Brasil um acervo que é muito expressivo, inclusive na escala mundial”, afirma o docente. O estudo “O Futuro dos Ecossistemas Tropicais Hiperdiversos”, divulgado em julho na revista Nature, aponta ainda que 15% das espécies de animais e plantas mundiais estão em território brasileiro.

Para Ribeiro, a expressiva biodiversidade registrada e a sua conservação poderiam ser usadas como principais vetores de desenvolvimento do país. “O Brasil poderia ser referência na implementação desse modelo”, finaliza o docente.

Ouça o comentário do professor Wagner Ribeiro

ANOTE AÍ
Fonte: RBA
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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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