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Crise climática no Rio Grande do Sul deixa 25 mil desabrigados; Governo Federal envia R$ 741 milhões

no Rio Grande do Sul deixa 25 mil desabrigados; Governo Federal envia R$ 741 milhões

Segundo a Defesa Civil, mais de 340 mil pessoas foram afetadas em 88 municípios do Rio Grande do Sul. Mais de 25 mil estão desalojadas.

Por Mídia Ninja/Redação

Desde a última segunda-feira (4), o estado do Rio Grande do Sul vem enfrentando uma grave crise climática devido a chuvas intensas e inundações causadas por um ciclone extratropical. Até o momento, 43 pessoas foram confirmadas mortas e 46 estão desaparecidas, com a maioria das vítimas concentrada em Muçum, onde 30 pessoas ainda estão desaparecidas. As inundações devastaram cidades, derrubaram pontes, destruíram lojas e causaram sérios danos à infraestrutura do estado.

Segundo a Defesa Civil, mais de 340 mil pessoas foram afetadas em 88 municípios do Rio Grande do Sul. São 4.794 desabrigados – pessoas que necessitam de abrigo público – e 20.490 desalojados – pessoas que estão em outras residências. A situação continua sendo uma preocupação para as autoridades, que estão mobilizando esforços para ajudar as comunidades locais a enfrentarem essa crise.

Ajuda federal de R$ 741 Milhões

O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, anunciou uma ajuda federal de R$ 741 milhões para o Rio Grande do Sul. Os recursos serão distribuídos em diversos setores, incluindo R$ 26 milhões para o Ministério da Defesa desempenhar tarefas de resgate e logística, R$ 80 milhões para o Ministério da Saúde, R$ 116 milhões para reconstrução de uma parte da BR 116, R$ 125 milhões para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), R$ 195 milhões para construção de moradias, e R$ 185 milhões para ajuda humanitária e reconstrução de infraestrutura.

Medidas de assistência à população afetada

O governo federal também anunciou medidas de assistência direta à população atingida, incluindo o saque do FGTS de até R$ 6.220 para as pessoas impactadas pelas chuvas. Além disso, o Bolsa Família será antecipado para os afetados no próximo dia 18 e o Benefício de Prestação Continuada será antecipado para o dia 25. As prefeituras receberão R$ 800 por habitante afetado, e também será liberado o valor de um salário mínimo pelo BPC, a ser pago em até 36 meses sem correção.

Foto: Marinha do
 

Situação de calamidade pública

Com a gravidade da situação, é previsto que o número de municípios com reconhecimento do estado de calamidade pública aumente de 79 para 88, de acordo com um decreto a ser publicado nesta segunda-feira (11). O cenário de chuvas permanece em diversas regiões já afetadas.

As fortes chuvas, inundações e as consequentes devastadoras, estão alinhadas com os crescentes desafios das mudanças climáticas que afetam regiões em todo o mundo. Embora as autoridades não atribuem diretamente um evento climático específico às mudanças climáticas, a frequência e a intensidade desses eventos extremos têm sido cada vez mais associadas às alterações no clima global.

A inação dos governos locais em relação às mudanças climáticas é uma preocupação significativa nesse contexto. A falta de medidas preventivas, como o desenvolvimento de infraestrutura de drenagem e controle de enchentes adequada, pode tornar as comunidades mais vulneráveis a eventos climáticos extremos. Além disso, a ausência de políticas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa contribui para o agravamento das mudanças climáticas, tornando esses eventos mais frequentes e intensos.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB-RS), afirmou que “foi pego de surpresa”. Essa afirmação foi rebatida pelo jornalista André Trigueiro, em uma entrevista ao vivo com Leite durante um jornal da Globo News. Trigueiro afirmou que existe formas de mitigar o impacto de eventos climáticos extremos, e que, as autoridades do Rio Grande do Sul tinham conhecimento há cinco meses da formação de uma massa como a de um ciclone, e que poderia impactar diretamente a infraestrutura do estado, além de ser uma ameaça à vida.

Fonte: Mídia Ninja. Foto: Governo do Rio Grande do Sul.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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