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Doçura da Jabuticaba: pra pipocar na boca e na alma

Jabuticaba pra curar dor de amor

Não há dor de cotovelo que resista a uma jabuticabeira carregada. As mais graúdas e polpudas são as melhores para aplacar a amargura de uma desilusão amorosa com a doçura da fruta…

Por Cássia Miguel

Ah, o gelo na barriga só de olhar pro mocinho de cabelo enroladinho. Toda menina mais ou menos naquela idade era apaixonada pelo mesmo garoto. Um pouco mais velho, alto, família boa, inteligente. Um charme. E o melhor. Ela paquerava ele. Ele paquerava ela.

Naquela tarde, tinha certeza de que ele estaria na festa de aniversário do amigo.

O almoço foi caprichado, mas a ansiedade mesmo era pela  “brincadeira dançante”. Na sala, os adolescentes festivos e coloridos – a moda na época era pink, azul céu, amarelo ouro, quase neon – se juntavam.  Era a hora mais esperada porque tinha música lenta e o mocinho poderia convidar a mocinha pra dançar.

Mas a mocinha tinha aprendido que era muito importante ser difícil. Não ceder tão fácil a um convite, desdenhar a aproximação, jogar charme, assanhar o rapaz, mas não deixá-lo nem pegar na mão. Resistir. Assim ele vai saber respeitar e valorizar a mocinha quando virar namorado.

A mocinha foi implacável. O rapaz chegava, ela se afastava dando uma desculpa. O moço ia atrás. Ela trocava duas palavras e pedia licença. Ele chamou pra dançar três vezes. Ela não aceitou nenhuma. Achava que o páreo estava ganho.

O mocinho, então, abriu um sorriso lindo, virou as costas e convidou a melhor amiga dela pra dançar.  E bem na hora em que Just Like You Do, de Carly Simon, irrompeu do toca-discos e ocupou todo o espaço da sala de jantar.

Recatadíssima, a amiga imediatamente aceitou, dançou de olhos fechados e não resistiu – pasmem – a um beijo na boca! Carly Simon reverberava nos ouvidos e no coração da mocinha definitivamente só, enquanto o novo casal saía dali namorando e de mãos dadas.

A mocinha foi pra casa, tirou a camisa azul-céu de anarruga com lacinhos no pescoço e nas mangas, vestiu uma camiseta bem velha, um shortinho puído e subiu na jabuticabeira que estava carregadinha de fruta madura.

As melhores, mais graúdas, mais polpudas e mais doces exigiam uma escalada até os galhos mais altos. Na subida, as mãos espremiam algumas frutas, as costas pipocavam outras. Não tinha como atingir o ápice sem destruir alguma jabuticaba no caminho. Falta não ia fazer tamanha fartura grudadinha na árvore.

Subiu pensando que talvez fosse uma bobagem esse negócio de ser difícil. Subiu pensando que não era mesmo idade pra namorar.  Ficou lá em cima um tempão, aplacando a amarga e adolescente dor de amor com a doçura da fruta.

RECEITA DE GELEIA DE JABUTICABA DO QUINTAL

INGREDIENTES

1 kg de jabuticaba madura
250 g de açúcar
água
limão

Lave bem a jabuticaba, tire os cabinhos e as sujeirinhas típicas que vêm com a fruta colhida da árvore

Coloque numa panela de fundo grosso com água até cobrir. Deixe ferver e vá espremendo as jabuticabas para soltar a polpa.

Depois de uma hora ou um pouco mais cozinhando, retire do fogo, peneire o caldo.

Separe as casquinhas – descarte o caroço – e volte o caldo e as cascas para a panela. Acrescente o açúcar e deixe engrossar, mexendo de vez em quando.

Adicione o caldo de meio  limão, pra equilibrar a doçura e servir de conservante pra geleia..

Desligue o fogo quando o líquido atingir ponto de calda. Você levanta a colher de pau, escorre e vai ver que o líquido está mais consistente.

Coloque num pote de vidro.

Uma delícia com queijo e cafezinho.

Não há dor de cotovelo que resista…

Fonte: Conexão Planeta

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Mulher de marido, mãe de filho, madrasta de enteados. Começou a carreira profissional vendendo pinga e pão com mortadela na venda dos pais, em Minas. Foi bancária, revisora de jornal, rádio escuta, repórter, editora e apresentadora de TV. Hoje é especializada em media training, com foco para entrevistas em TV e vídeo. Fez jornalismo na PUCCAMP, pós graduação em Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas na USP e Análise do Discurso na PUC SP. Tudo isto sem tirar o pé da cozinha.


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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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