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Ecocídio

Ecocídio no Antropoceno: 60% dos animais silvestres foram extintos em 44 anos

Ecocídio no Antropoceno: 60% dos animais silvestres foram extintos em 44 anos

A aniquilação biológica e a defaunação são crimes caracterizados como especismo e refletem a falta de ética do ser humano em relação aos demais seres vivos do Planeta. Porém, na continuidade das tendências atuais, a perda de biodiversidade pode provocar, no longo prazo, a extinção da própria humanidade

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Créditos da foto: Ararinha-azul foi declarada extinta da natureza na última semana (Leonardo Ramos, Wikipedia)

“É triste pensar que a natureza fala e que a humanidade não a ouve” 
Victor Hugo

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Relatório Planeta Vivo 2018 divulgado pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF), no final de outubro, mostra que o avanço da produção e consumo da humanidade tem provocado uma degradação generalizada dos ecossistemas globais e gerado um ecocídio da vida selvagem do planeta: as populações de vertebrados silvestres, como mamíferos, pássaros, peixes, répteis e anfíbios, sofreram uma redução de 60% entre 1970 e 2014.

O relatório da WWF é baseado no acompanhamento de mais de 16.700 populações de 4 mil espécies, utilizando câmeras, análise de pegadas, programas de investigação e ciências participativas. A perda de biodiversidade é inquestionável e indica que o monopólio humano não tem sido bom para a riqueza da vida na Terra.

Um dos indicadores mostrados no relatório é sobre o impacto crescente do lixo plástico nos oceanos e a interferência no modo de vida e sobrevida das diversas espécies, inclusive as aves marinhas. Na década de 1960, apenas 5% das aves tinham fragmentos de plástico no estômago. Hoje, o índice é de 90%. O desenvolvimento econômico tem gerado um holocausto biológico e uma maior morbidade da vida animal.

O mundo caminha para um colapso ambiental. A verdade é que a escassez ecológica está se generalizando. Não haverá petróleo suficiente para suprir as necessidades energéticas globais até o final deste século. A falta de água doce já representa uma grande crise em muitas partes do mundo. O ar e o solo estão mais poluídos do que nunca.

E, neste momento, mal se pode alimentar o planeta inteiro, mas a demanda global por alimentos deverá aumentar dramaticamente nos próximos anos. Se a humanidade continuar fazendo as coisas da maneira que tem feito pode-se esperar um futuro de insegurança alimentar, agitação civil, caos ambiental e guerras. O globo está à beira do colapso planetário total, mas como isso está acontecendo em câmera lenta, a maioria das pessoas não sente a necessidade de fazer algo a respeito.

Brasil é o país que possui a maior biocapacidade global, mas que também tem, de maneira insana, provocado uma grande destruição dos ecossistemas e da sua riqueza natural. O relatório Planeta Vivo mostra que a floresta amazônica se reduz cada vez mais, do mesmo modo que o Cerrado, diante do avanço da agricultura e da pecuária. Por ano, uma área equivalente a 1,4 milhão de campos de futebol de área verde desaparecem do mapa por causa do desmatamento.

A ferro e fogo, ao longo da sua história, o Brasil destruiu 90% da Mata Atlântica. Somente de 1970 para cá, destruiu 20% da Amazônia e 50% do Cerrado. Este processo de desmatamento e destruição da vegetação natural pode atingir um ponto de não retorno, com consequências dramáticas sobre a população brasileira e mundial.

O relatório da WWF foi divulgado junto do resultado do segundo turno das eleições presidenciais do Brasil. Durante a campanha o presidente eleito, Jair Bolsonaro, propôs:

1) Seguir os passos de Donald Trump e retirar o Brasil do Acordo de Paris;

2) Fim da demarcação das terras indígenas;

3) Fim das multas por desmatamento;

4) Apoio ao agronegócio e ao desmatamento do Cerrado e da Amazônia;

5) Fim do Ministério do Meio Ambiente e criação de uma secretaria do Meio Ambiente subordinada ao Ministério da Agricultura;

6) Liberação da caça de animais selvagens, etc.

Se estas propostas forem colocadas em prática, o meio ambiente pode ser a maior vítima das políticas do próximo governo, agravando o quadro de colapso global. Um retrocesso nacional, neste momento, pode cimentar o caminho para uma destruição universal irreversível. O ecocídio é o caminho mais curto para o suicídio civilizacional. O Brasil deveria ouvir o alerta trazido pelo relatório Planeta Vivo 2018 e cuidar do meio ambiente e das espécies vivas do território nacional. Caso contrário não haverá futuro nem para o Brasil e nem para o mundo, pois sem ECOlogia não há ECOnomia.

aniquilação biológica e a defaunação são crimes caracterizados como especismo e refletem a falta de ética do ser humano em relação aos demais seres vivos do Planeta. Porém, na continuidade das tendências atuais, a perda de biodiversidade pode provocar, no longo prazo, a extinção da própria humanidade.

ANOTE AÍ

Fonte: IHU – Instituto Humanista Unisinos

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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