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Educação em Formosa: “Mola do progresso, da ordem e da felicidade”

Educação em Formosa: “Mola do progresso, da ordem e da felicidade”

Por Maria Aparecida Hamu Opa

A educação em Formosa desde a 1ª década do século XX tem sido mola do progresso, da ordem e da felicidade. Tenho em mãos cópias de números da Informação Goiana, que traz notícias bastante elogiosas sobre a educação em Formosa.

“Sob a brilhante direção do Professor Antônio Euzébio de Abreu, que há vinte anos milita no magistério, há nesta florescente cidade do planalto central um magnífico instituto de ensino secundário, onde se lecionam todas as matérias exigidas para a matrícula nas escolas superiores. Dispõe o Colégio Formosense de confortável edifício, com lotação para mais de 100 internos.

Ao lado do internato funciona o externato, que é bem frequentado. Além do curso propedêutico, há ainda aulas de higiene escolar, instrução cívica com exercício militar à francesa e jiu-jitsu. Ainda de iniciativa particular, há em Formosa um colégio de irmãs dominicanas, onde a matrícula atinge anualmente ao número de 180 alunos. Atualmente, é a cidade goiana que dispõe de melhor instrução.”

Quase um ano depois, é o próprio professor Antônio Euzébio que escreve na mesma Informação Goiana, Rio de Janeiro, 15 de junho de 1918. Por ser extenso, cito apenas alguns extratos: “… Entre outros, devo citar o de Formosa, o qual tive o prazer patriótico de organizar à requisição do governo local, cujo programa de ensino e métodos empregados deveriam merecer imitação por parte dos demais municípios goianos e outros, por este país afora, onde a instrução primária ainda conserva como troféu colonial o bê-a-bá cantado segundo a cartilha bissecular do apoteosado professor Coruja.

O grupo escolar de Formosa, moldado de conformidade com os métodos modernos mais produtivos, tem um programa expurgado de todas as inutilidades e sobrecargas que confundem e esmorecem os jovens escolares, que, assim, se retiram dos muitos estabelecimentos que frequentam, ignorando as regras mais elementares da linguagem nacional e desconhecendo ordinariamente as mais simples noções de geografia do seu estado e do Brasil.

O curso escolar é ali de quatro anos, podendo o alunado inteligente e aplicado ser promovido três vezes no decurso do ano escolar e receber no fim do 1º ano de frequência o seu certificado de “conclusão”, que o isenta da obrigatoriedade de ensino e lhe permite cuidar dos seus interesses ou auxiliar a família com o concurso do seu trabalho”.

As ideias expressas pelo professor Antônio Euzébio neste texto nos levam a uma análise surpreendente pela consciência do significado social e político com que o professor estabelecia as normas do seu Colégio Formosense.

A juventude formosense fez jus ao espírito democrático da sua escola, quando, na campanha eleitoral de 1944/45, manifestou-se de forma dinâmica e entusiasta pela oposição. Anos antes, ainda na ditadura de Vargas, era interventor de Goiás Pedro Ludovico Teixeira.

Na Praça Rui Barbosa (no jardim como era chamado) foi erguido um pedestal com o busto do impoluto interventor. Mas a rapaziada desta terra tomou-se de birra com o dito busto. Em primeiro lugar, viraram-no para o norte. Foi um “Deus nos acuda”.

Foram todos os jovens do sexo masculino e pertencentes à UDN intimados à Delegacia de Polícia. Os de maior fama foram mesmo trancafiados nas grades. O tempo passou e, à calada da noite, arrancaram o busto e o jogaram na cisterna que havia no jardim. De lá foi retirado e, restaurado com solenidade, recolocado no pedestal.

Vivemos mais algum tempo e, certa manhã, o sacristão, ao se dirigir ao campanário para tocar o sinal para a missa das seis horas, deparou-se com o busto do Dr. Pedro Ludovico enforcado nas cordas dos sinos da matriz. Aí, sim, acabou a história do busto, cujo destino ignoramos.

Maria Aparecida Hamu Opa (in memoriam) – Professora. Excerto do texto publicado, originalmente, na Revista DF Letras, Ano III, nº 25,26 – Câmara Legislativa do Distrito Federal. Texto editado por Iêda Vilas-Bôas.

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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