Federação reúne mais de 100 mulheres na Conferência Livre de Mulheres Fenae e Apcefs

FEDERAÇÃO REÚNE MAIS DE 100 MULHERES NA CONFERÊNCIA LIVRE DE MULHERES FENAE E APCEFS

Federação reúne mais de 100 mulheres na Conferência Livre de Mulheres Fenae e Apcefs

O evento realizado em Fortaleza reforça o empoderamento feminino, o combate ao feminicídio e a construção de políticas públicas para as mulheres

Por FENAE

Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) e as Associações do Pessoal da Caixa (Apcefs) elegeram as delegadas e definiram as propostas que serão levadas para debate na 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, que acontecerá em Brasília, entre os dias 29 de setembro e 1º de outubro. A escolha ocorreu durante a Conferência Livre de Mulheres Fenae e Apcefs, realizada na manhã desta quinta-feira (14), em Fortaleza (CE), em paralelo às atividades dos Jogos Regionais do Nordeste, que seguem na cidade até domingo (17).

Com o tema “Conferência Fenae Com Elas: equidade, direitos e justiça para todas”, o evento reuniu mais de 100 mulheres de todo o Brasil, presencial e virtualmente, para discutir pautas urgentes e contribuir para a construção de políticas públicas, pelo governo federal, que respondam às reais demandas da população feminina no país.

O presidente da Fenae, Sergio Takemoto, participou da abertura da Conferência, ressaltando o alinhamento e o comprometimento da Federação com programas de empoderamento feminino e combate ao feminicídio, como a criação da Campanha Fenae com Elas. Takemoto enfatizou o papel da entidade na luta em defesa de direitos e igualdade, além da necessidade do apoio dos homens na luta. “Para nós, é motivo de enorme orgulho ver a realização dessa Conferência, que reafirma o compromisso da Fenae na luta contra o feminicídio e por mais espaço para as mulheres. A Conferência é um passo importante, mas sabemos que a luta continua e estamos juntos nessa jornada. A gente não constrói os espaços que nós temos que ocupar sem o apoio dos homens, sem a luta coletiva”, reforçou Takemoto.

A diretora de Políticas Sociais da Fenae, Rachel Weber, destacou a relevância das Conferências de mulheres como espaços democráticos para a pauta feminina, principalmente após anos de interrupção do debate. “Estamos participando de uma construção coletiva que vai muito além de nós mesmas. É um resgate necessário para pautar o governo federal sobre o que as mulheres realmente querem, e para reafirmar que, no Brasil, ainda é perigoso ser mulher. Por isso, cada passo nessa retomada é fundamental”, reforçou a diretora.

A diretora da Fenae, Lourdes Barbosa, destacou a importância de parcerias estratégicas para fortalecer ações de empoderamento feminino e combate à violência contra a mulher. Durante sua fala, ela ressaltou o papel da Fenae, Apcefs e da ONG Moradia e Cidadania e de iniciativas como a Fenae com elas e a plataforma Fenae Transforma, que oferece cursos voltados à autonomia e à cidadania de mulheres em todo o país, por meio dos projetos sociais desenvolvidos. “Estamos presentes em todos os estados, apoiando 27 projetos sociais que já incorporam o enfrentamento à violência doméstica como prioridade. A plataforma Fenae Transforma é uma ferramenta poderosa para levar conhecimento e oportunidades às mulheres, com cursos que tratam de empreendedorismo, direitos, liberdade financeira e cidadania. Cada vida protegida e transformada é uma conquista que reafirma nosso compromisso com a dignidade e a igualdade”, destacou Lourdes.

Giselle Menezes, diretora de Impacto Social da entidade, destacou a importância do Edital 004 da Fenae, que incluiu o tema do empoderamento feminino nas ações de responsabilidade social, desenvolvidas em parceria com as Apcefs e a ONG Moradia e Cidadania, com destaque para os cursos oferecidos na plataforma da Fenae Transforma. “Propusemos esse tema do empoderamento feminino porque sentimos a necessidade de ampliar o conhecimento sobre como atuar em casos de violência. Em parceria com a LBS – Advogadas e Advogados –, desenvolvemos cursos voltados a fortalecer a autonomia das mulheres. A autonomia financeira é um ponto fundamental para que as mulheres consigam quebrar o ciclo da violência”, explicou.

Delegadas e propostas

Após os debates e a votação aberta, foram eleitas as três delegadas que representarão as entidades na 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres. São elas: Rachel Weber, diretora de Políticas Sociais da Fenae; Rita Lima, diretora de Assuntos de Aposentados e Pensionistas; e Fernanda dos Anjos, representante da Apcef/SP e da Associação dos Gerentes da Caixa de São Paulo. As suplentes serão: Rosalba Loureiro de Oliveira, presidenta da Apcef/AM; Lourdes Barbosa, conselheira da Fenae; e Giselle Menezes, diretora de Impacto Social da Fenae.

As mulheres votaram três propostas que levarão para debater na Conferência Nacional. São elas: o fortalecimento de lideranças femininas nas comunidades; o combate à violência contra a mulher no ambiente de trabalho e licença remunerada; e a certificação para empresas que promovam liderança feminina.

Palestra

Durante a Conferência, a advogada Luciana Barretto, fez uma palestra sobre a necessidade de discutir políticas públicas voltadas para o público feminino é também um ato de defesa da democracia. Representante do Escritório LBS Advogadas e Advogados, a profissional com mais de 20 anos de atuação na defesa dos direitos trabalhistas e das mulheres, alertou para o impacto do machismo estrutural, para a grave subnotificação dos casos de violência e destacou a importância da Lei Maria da Penha como marco no combate à violência de gênero. Luciana também apresentou orientações práticas sobre como registrar boletim de ocorrência, reunir provas e buscar apoio jurídico, psicológico e social.

“A violência contra a mulher não é um problema privado, é um problema estrutural da nossa sociedade. A Lei Maria da Penha rompe com a lógica patriarcal e garante instrumentos de proteção, mas ainda enfrentamos a subnotificação e a dificuldade de acesso aos direitos. Conhecer os caminhos para pedir ajuda é fundamental para salvar vidas”, reforçou.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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