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FRONTEIRAS DA TRIJUNÇÃO - Grande Sertão Veredas

FRONTEIRAS DA TRIJUNÇÃO – Grande Sertão Veredas

FRONTEIRAS DA TRIJUNÇÃO: REPRESENTAÇÕES E MEMÓRIAS DO SERTÃO-GERAIS NO PARQUE NACIONAL GRANDE SERTÃO VEREDAS é o tema da Dissertação de Mestrado do escritor e poeta Francisco Mendes da Paz (2018), o Xiko Mendes. Seu enfoque é sobre a Memória Coletiva do Geralista, categoria identitária nativa dos Núcleos Comunitários Veredeiros do Grande sertão Veredas. A Região da Trijunção é um espaço de fronteiras (Agrícola, Ambiental e Cultural) não oficializado; se situa na intersecção dos estados da Bahia, Goiás e Minas Gerais. 

Por Francisco Mendes da Paz (Xiko Mendes)

(Resumo)

Essa pesquisa busca compreender Representações e Memórias do Sertão-Gerais, e a contribuição de ambas para a valorização de identidades, cultural e territorial, das Comunidades Tradicionais das Nascentes da Carinhanha no contexto das Múltiplas Fronteiras  da Trijunção. Seu enfoque é sobre a Memória Coletiva doGeralista, categoria identitária nativa dos Núcleos Comunitários Veredeiros
(NCV) do Parque Nacional Grande Sertão Veredas – PARNA-GSV, em sua Área de Ampliação criada em 2004, que denominamos PARNA-GSV.2.

A Região da Trijunção é um espaço de fronteiras (Agrícola, Ambiental e Cultural) não oficializado; se situa na intersecção dos estados da Bahia, Goiás e Minas Gerais. Ela sofreu transformações lentas desde o século XVIII. Os impactos mais significativos sobre a Cultura Tradicional de grupos como o Geralista ocorreram com a chegada da Modernização Conservadora do Bioma Cerrado
dentro do contexto influenciado pelo início de Brasília (1960/1980). Tais impactos provocaram des/re/territorializações precárias culminando com a criação dessa unidade de conservação (PARNA-GSV.1), em 1989.

A Trijunção é zona de transição Cerrado-Caatinga: fica a 350 Km de Brasília. História Oral e História Cultural foram utilizadas como procedimentos teórico-metodológicos
complementares nas abordagens sobre dezoito narrativas resultantes de entrevistas semiestruturadas feitas com dois subgrupos de Interlocutores: doze rurais e seis urbanos; a maioria reside na própria Trijunção e parte na RIDE-DF. Todos são parentes consanguíneos ou por afinidade das quatro famílias desbravadoras (Mendes, Brito/“Bito”, Barbosa e Rodrigues),
corresponsáveis pela territorialização veredeira da área convertida em PARNAGSV.2. Esses interlocutores foram selecionados a partir do grau de ligação interparental com descendentes da Família-Tronco do Fazendeiro-PatriarcaRafael Mendes de Queiróz e Dona Rita Rodrigues de Almeida, antigos donos da maior parte do PARNA-GSV.2 conforme documento de 1907, que atesta terem sido eles proprietários da Fazenda Rodeio-Canabrava.

A pesquisa identificou quatro categorias de marcação identitária presentes na Memória Coletiva entre essas Comunidades Tradicionais: Carinhanha-Gerais, Goiás-Januária, Sujeito Geralista e Povo/Pessoal do Parque. Por meio das memórias e de suas
representações, constatou-se que ainda há fortes vínculos socioculturais dessas comunidades com o Sertão-Gerais; que seus membros problematizam, conscientemente, os impactos decorrentes tanto da Modernização Conservadora quanto por causa do PARNA-GSV; e ainda há entre eles uma intensa resistência cultural associada à Mímesis, que é a força revigorante de sustentação que mantém viva sua identidade filiada à Matriz Identitária Geraizeira.

A análise do conjunto dessas narrativas (Geolexicopédia) apontou, entre outras alternativas, a de se fazer, imediatamente, a reformulação crítica do Programa de Gestão Ambiental e com ele redigir um segundo plano de manejo que inclua a criação
de Zonas Histórico-culturais nos lugares rememorados pelos Geralistas.

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Xiko Mendes

 

Xiko Mendes: Educador e escritor. Mestre em meio Ambiente e Desenvolvimento Rural pela UnB. Membro Efetivo da Alaneg- Academia de Letras e Artes do Nordeste Goiano/RIDE.

 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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