HACKER CONFIRMA: MORO E DALLAGNOL ARMARAM PARA LULA

HACKER CONFIRMA: MORO E DALLAGNOL ARMARAM PARA LULA

Hacker confirma: Moro e Dallagnol armaram para Lula

Armação da Lava Jato contra Lula, revelada por hacker,  pode levar Moro e Dallagnol para a prisão.

Por Benildes Rodrigues

Durante sessão virtual da Câmara dos Deputados, o deputado Rogério Correia (PT-MG) alertou para a gravidade do conteúdo da recente entrevista do hacker Walter Delgatti, concedida à emissora CNN Brasil.

Para o deputado, a apuração rigorosa desses fatos pode levar Sérgio Moro e Deltan Dallagnol à prisão. Ambos conduziram o processo na Lava Jato que levou o ex-presidente Lula à prisão injusta e arbitrária, em abril de 2018. “Estamos vendo agora a que nível chegou a perseguição neste País. O hacker viu tudo, sabia de tudo e agora testemunha. O lugar do Moro e do Dallagnol é na cadeia”, defendeu Rogério Correia.

“O que assistimos é o hacker dizendo claramente que o único objetivo deles (Moro e Dallagnol) era prender o Lula. O hacker deixa claro que o fato pelo qual prenderam o Lula não existia, que eles combinavam tudo, em especial com três ministros do Supremo: Fachin (Edson), Barroso (Luís Roberto)  e Fux (Luiz)”, relatou Rogério Correia.

O parlamentar se referiu ao trecho da entrevista em que Walter Delgatti, conhecido como hacker de Araraquara, foi taxativo em afirmar: “O foco era o Lula, mas os empresários, também, e outros políticos, ou diretores da Petrobras que eles mantinham presos até a pessoa falar. Exemplo: o Léo Pinheiro. Eles falavam: ‘Se ele enviar, fizer a delação e não falar do Lula, não será aceita’. Tinha conversa assim”, diz o hacker na entrevista.

Na opinião do deputado, a entrevista corrobora àquilo que a defesa do ex-presidente Lula vem afirmando desde o começo da operação. “Fizeram uma perseguição e levaram Lula à prisão sem nenhuma prova. Isso foi arquitetado com o Juiz Sérgio Moro”, acusou o deputado.

“O hacker, na CNN, disse que eles arquitetaram e até tentaram a prisão de dois ministros do STF, o ministro Gilmar Mendes e Dias Toffoli”, explicou o deputado se reportando a outro trecho da entrevista em que o entrevistado relata a intenção dos mentores da Lava Jato.

CPI

Para investigar profundamente as ações comandadas pelos dois representantes do Sistema de Justiça Brasileiro, Rogério Correia sugeriu a instalação imediata da CPI da Lava Jato que se encontra na fila para ser apreciada pelo presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ).

A CPI, articulada por um grupo de parlamentares, já conta com as 171 assinaturas exigidas pelo Regimento Interno da Câmara dos Deputados.  O objetivo da comissão é investigar a violação dos princípios constitucionais e do Estado Democrático de Direito, em razão da suposta articulação entre os membros da Procuradoria da República no Paraná e o então juiz Sergio Moro da 13.ª Vara Federal de Curitiba, tornadas públicas pelo site The Intercept.

O deputado petista também solicitou adesão de seus pares à CPI que ele está propondo para investigar o ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sérgio Moro e o procurador e coordenador da força tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol. O objetivo do colegiado é Investigar Moro, Dallagnol e o que eles fizeram durante todo esse procedimento da Lava-Jato.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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