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Homofobia interrompe uma vida de sonhos e luta por justiça social

Homofobia interrompe uma vida de sonhos e luta por justiça social

Sandro Cipriano, professor e militante dos direitos humanos e da causa LDBTQI foi encontrado morto no dia 29 de junho, três dias depois de desaparecer na quinta-feira, 27. Crivado de perfurações, o corpo de Sandro foi descoberto – sem os dois olhos – por populares em um sítio da zona rural de Pombos, na Zona da Mata de Pernambuco.

Conhecido como “Sandro do Serta”, o professor de agroecologia da ong Serviço de Tecnologia Alternativa (Serta) era bastante querido na região e seu trabalho era reconhecido no Brasil inteiro. Várias entidades emitiram notas lamentando o assassinato de Sandro.

Nós nos somamos na indignação pelo assassinato de Sandro Cipriano.

NOTA DE PESAR DO SINTEPE

Professor Sandro Cipriano, presente!

É com enorme pesar que o Sintepe registra toda sua indignação e revolta com o precoce falecimento do professor Sandro Cipriano, de 35 anos. Sandro foi encontrado morto neste sábado, 29 de junho, vítima de um brutal assassinado. Era professor do curso de Agroecologia na ONG Serviço de Tecnologia Alternativa (Serta) e militante dos Direitos Humanos e da causa LGBT.

O professor Sandro era querido por todos e todas que com ele conviviam, além de ter um reconhecido trabalho nas áreas em que atuava. Seu assassinado é uma violência contra todos e todas que lutam pela educação em Pernambuco e no Brasil. Exigimos rigorosa investigação das causas de sua morte. Sandro, todo seu trabalho não foi em vão.

A Direção do SINTEPE 

NOTA DA ABONG-PE

As organizações do campo e da cidade perdem mais um companheiro para o ódio e a violência homofóbica. Exigimos justiça!

Nesta manhã de sábado, fomos surpreendidos/as com a triste notícia do assassinato do companheiro Sandro Cipriano – ou Sandro do Serta, como era carinhosamente conhecido em Pombos, sua cidade natal, e em Pernambuco.

Quem matou Sandro Cipriano?

O Serta – Serviço de Tecnologia Alternativa – é uma organização da sociedade civil que forma jovens, educadores/as e produtores/as familiares para atuarem na transformação das circunstâncias econômicas, sociais, ambientais, culturais e políticas, e na promoção do desenvolvimento sustentável, com foco no campo. Foi no Serta que Sandro passou de educando a educador.

Além de professor, Sandro era coordenador estadual e membro do conselho diretor nacional da Abong – Associação Brasileira de ONGs, membro do Grupo Sete Cores de Pombos, ex-conselheiro nacional da juventude (Conjuve), ex-conselheiro estadual de políticas públicas de juventude em Pernambuco e, há mais de uma década, um guerreiro incansável pela efetivação dos direitos das juventudes, em especial da Bacia do Goitá e do Sertão de Moxotó.

Sua morte, motivada por ódio e homofobia, é o retrato do Brasil que exclui, estigmatiza e assassina pessoas que defendem direitos e LGBTs.

A violência é um fator histórico que sempre atentou contra a vida daqueles/as que defendem os direitos fundamentais. Lembremos Martin Luther King, Dorothy Stang, Manoel Mattos, Margarida Alves e a própria Marielle Franco, dentre outros ativistas que foram assassinados em decorrência de seu exercício político.

Só nos primeiros cinco meses deste ano, o relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB) aponta que o Brasil registrou 141 mortes de pessoas LGBTs. Segundo a entidade, foram 126 homicídios e 15 suicídios, o que representa a média de uma morte a cada 23 horas.

Esse é um momento de muita tristeza e indignação e nada trará nosso companheiro de volta, mas exigimos das autoridades pernambucanas o rigor necessário para a apuração deste crime.

Perde sua família e seus amigos/as mais próximos, mas perdemos todos/as nós e a própria democracia brasileira.

Seu assassinato interrompe uma vida de sonhos e luta por justiça social.

Toda nossa solidariedade à família e o desejo que sejam confortados/as em sua dor.

Sandro, presente! Hoje e sempre!

Abong – Associação Brasileira de ONGs

Brasil, 29 de junho de 2019

O Serviço de Tecnologia Alternativa – SERTA lamenta profundamente o falecimento do educador Sandro Cipriano, diretor da organização desde 2016, e colaborador há mais de 15 anos. Sandro havia desaparecido na noite da quinta-feira (27), e foi encontrado sem vida neste sábado (29), na Zona Rural de seu município, em Pombos/PE. O caso está sendo investigado pelas autoridades competentes. O sepultamento ainda será divulgado.

Formado em Pedagogia, o educador, de 35 anos de idade, militava pelos Direitos Humanos, sendo uma das maiores lideranças da juventude rural. Sua história com o SERTA iniciou desde em que foi estudante, sendo um dos primeiros jovens protagonistas a se formar no curso de Agente de Desenvolvimento Local – ADL, em 2001.

Sua dedicação as causas político-sociais sempre teve grande expressão no estado de Pernambuco, mobilizando e liderando coletivos em diversos espaços de proposição de políticas públicas, junto à sociedade civil e organizações sociais, também como representante do movimento LGBT da organização Grupo 7 Cores. No SERTA, além de diretor, foi educador do módulo de Educação em Direitos Humanos, do curso técnico em Agroecologia.

O SERTA reconhece a importância da dedicação e contribuição para efetivação de nossa Missão, na formação de pessoas para o desenvolvimento sustentável do campo e da cidade, e decreta luto oficial de três dias.

Nossos sentimentos aos parceiros, amigos, familiares, companheiros de trabalho que neste momento buscam forças para seguir em frente, dando continuidade a sua luta e, também, cobrando das autoridades respostas pelo crime bárbaro. Pedimos a toda população que mobilize forças para chegarmos aos responsáveis pelo caso, contribuindo com a polícia. A denúncia pode ser feita anonimamente pelo número (81) 3719-4545. Também é possível repassar informações através do site da central Disque Denúncia, que permite o envio de fotos e vídeos. O serviço funciona durante 24h, todos os dias da semana. O anonimato é garantido.

O educador Sandro será sempre lembrado por seu amor, sua força, sua graça.

“Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe? – Marielle Franco

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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