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Jagunços invadem ocupação do MTST

Jagunços invadem ocupação do MTST

Jagunços invadem ocupação do MTST em Montes Claros

A ocupação Tereza Benguela, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) em Montes Claros, no Norte de Minas, foi invadida por jagunços e seguranças particulares, na manhã deste sábado (14/05)…

Por Mídia Ninja

O coordenador do MTST em Minas, Jairo dos Santos Pereira, relata que além de invadirem a ocupação, também foram bloquearam as entradas com caminhões de terra.

Segundo o relato, um dos proprietários chegou ao local, por volta das 9h, e ameaçou os membros do movimento. Em seguida, jagunços e seguranças privados chegaram por volta das 11h.

Estão no local cerca de 50 pessoas de 35 famílias. Idosos, crianças e um jovem com autismo também fazem parte da ocupação.

“A situação está complicada. É um massacre anunciado. São mais de 40 jagunços e seguranças privados. Bloquearam as entradas com caminhões de terra. A polícia não está agindo, não veio para aqui proteger as famílias”, conta Jairo. “As 35 famílias estão em risco. Tem criança. Tem mulher grávida. Tem um jovem com autismo. Tá uma situação sem jeito… muito díficil”, relata.

A ocupação aconteceu ontem, sexta-feira (13/5), em uma terra pertencente à família Ataíde, do ex-prefeito de Montes Claros Jairo Ataíde (DEM). A terra fica entre o Aeroporto e a Lagoa da Pampulha.

De acordo com o MTST, os proprietários da área devem R$ 7 milhões de IPTU. “Eles ameaçam todo o tempo. Falam que vão botar fogo nas habitações”, disse o coordenador.

Ainda segundo o movimento, a polícia esteve no local, mas não prestou ajuda ou acolhimento.

O líder do MTST, Guilherme Boulos, usou as redes sociais para cobrar o governador Romeu Zema (Novo) sobre a situação.

Com informações do Estado de Minas

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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