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O “pode” e o “não pode”

O “pode” e o “não pode” – “Permita que a lei te ligue ao amor para você saber ler, na experiência das relações humanas, a paz social.” – Padre Joacir d´Abadia
Olá meu querido leitor, olá minha querida leitora!
Neste momento gostaria de te chamar a atenção para um tema muito importante que necessita de seu amor na observância do mesmo. Acredito que você já tenha ouvido muitas pessoas dizerem: “isso não pode” ou “isso pode”. Ou seja, cada pessoa agindo deste modo está assumindo em sua vida “a lei”. O que é, todavia, a lei?
Numa busca rápida pela internet é fácil encontrar explicação para o vocábulo “lei”: “Lei  do verbo latino ligare, que significa “aquilo que liga”, ou legere, que significa “aquilo que se lê” é o conjunto de normas recolhidas e escritas, baseadas na experiência das relações humanas, que servem para ligar os factos ou os acontecimentos ao direito, em ordem à paz social” (cf. Wikipédia).
Joacir indigena amamentando
Quando lemos que lei é regra, prescrição escrita que emana da autoridade soberana de uma dada sociedade e impõe a todos os indivíduos a obrigação de submeter-se a ela sob pena de sanções, nós trememos. Volta outra vez no mesmo dilema:  “isso não pode” ou “isso pode”.
O sociólogo Walace Ferreira diz que “Aristóteles defende a presença de leis escritas, entendendo-as como fontes seguras da aplicação do justo por parte dos juízes, reduzindo suas arbitrariedades.
Afinal, diz ser prudente desconfiar da imparcialidade dos juízes, pois seus julgamentos correm o risco de serem deformados por sentimentos humanos como a simpatia ou o medo” (Justiça e Direito em Platão, Aristóteles e Hobbes).
Fica afirmando que a lei é esta imposição fria, sem sentimento que trás sérias penas a quem não a obedece: “seus julgamentos correm o risco de serem deformados por sentimentos humanos como a simpatia ou o medo”.
Esta lei, sem sentimentos, friamente pode ser estacionada nos corações humanos possibilitando-nos tão somente a observância da lei por medo das sanções punitivas que ela trás sem que sejamos educados para o cumprimento.
Nem mesmo a Sagrada Palavra está excluída de não haver julgamentos frios: “… estão fazendo, o que não é permitido fazer…” (cf. Mt 12,1-8). Assim, caro leitor fiel, é necessário seu amor na observância da lei para que ela seja “mais humana” e ganhe vida além do “isso não pode” ou “isso pode”. Permita que a lei te ligue ao amor para você saber ler, na experiência das relações humanas, a paz social.
joacir portal cerratense
Padre Joacir d’Abadia – Filósofo
cleardot
Pe. Joacir Soares d’Abadia, Pároco em Formosa-GO, Especialista em Docência do Ensino Superior, Bacharel em Filosofia e Teologia, Licenciando em Filosofia, membro do Conselho de “Pesquisas e Projetos” (UnB Cerrado), membro do Conselho de Presbíteros, Coordenador da Pastoral da Educação e Coordenador dos Padres do Setor IV. Escreve para os jornais: “Alô Vicentinos” (Formosa-GO) e “Carta de notícias” (Posse-GO). É o fundador do jornal “Ecos da chapada” (Alto Paraíso-GO). Ganhou, em 2011, o Concurso Internacional de Filosofia da “Revista Digital Antorcha Cultural” da Argentina e têm 4 obras publicadas no exterior. É autor 8 livros: “Opúsculo do conhecer” (Cidadela); “A caridade e o problema da pobreza na periferia” (Agbook); “A Igreja do ressuscitado” (Virtual Books); “Contos de barriga cheia” (Cidadela); “O eu autor” (B24horas); “Taffom Érdna: romance com a sabedoria” (Palavra e Prece); “A Filosofia ao cair da folha” (Cidadela) e “Riqueza da Humanidade” (B24horas). Contato: WhatsApp (61) 9 9315433 ou joacirsoares@hotmail.com
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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

Uma resposta

  1. O “pode” e o “não pode” amorosamente abordados neste excelente e oportuno texto, deveria ser observado na linguagem do autor quando descuida da concordância pronominal entre tu/você: Tu, pode com teu; você, com seu.

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