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Lula: Brasil deve acabar com a fome e recuperar prestígio internacional

Lula: Brasil deve acabar com a fome e recuperar prestígio internacional – 

Do site do  Lula Em entrevista ao jornal espanhol El País, publicada neste domingo (21), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que tem como causas a luta contra a desigualdade no Brasil e a criação de um mundo mais fraterno e solidário. Lula, que concluiu neste fim de semana uma agenda de 10 dias por quatro países da Europa, destacou que o Brasil, que já foi um protagonista internacional, mas andou para trás nos últimos anos e hoje sofre com uma estagnação econômica que provoca  fome e miséria. 

“Quando eu deixei a presidência, em 2010, o Brasil estava numa situação internacional e numa situação interna de crescimento econômico e de respeitabilidade muito grande. Tudo isso foi desmontado. A minha causa é a luta contra a desigualdade no Brasil e no mundo. Lutar para criar um mundo mais humano, mais fraterno, mais solidário, onde todo mundo tenha o seu elementar”, disse Lula. 

Ao falar sobre a reconstrução do Brasil, ex-presidente disse que gostaria de ver o país de novo com prestígio internacional e com a população se alimentando três vezes ao dia. “Hoje temos mais desemprego e inflação. E a fome, que tinha acabado no Brasil, voltou com muita força. Se eu voltar para a presidência, não posso fazer menos do que fiz. Tenho que voltar para fazer o Brasil recuperar o seu prestígio internacional e que o povo possa comer três vezes ao dia”, afirmou ao jornal, ressaltando que hoje, no Brasil, terceiro maior produtor de alimentos no mundo, há 19 milhões de pessoas passando fome.  “O mundo não pode continuar assim.”

Sem vingança 

 
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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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