Pesquisar
Close this search box.

Adriano Nóbrega: a quem interessa o cadáver?

Adriano Nóbrega: a quem interessa o cadáver?

Quem não suspeitar da “troca de tiros” que matou Adriano da Nóbrega ou é muito ingênuo ou muito safado

A pergunta que se deve fazer quando alguém procurado e investigado e é morto é a quem interessa o cadáver?

Por Blog do Rovai Renato Rovai

O capitão miliciano Adriano Magalhães da Nobrega foi assassinado na madrugada deste domingo. A notícia é que o fato se deu numa “troca de tiros”.

Ele é um dos envolvidos e investigados na morte de Marielle Franco e, segundo investigações do Ministério Público, suas contas bancárias foram usadas para abastecer Fabricio Queiroz, o operador financeiro de Flávio Bolsonaro no famoso caso das rachadinhas.

Mas o currículo de Adriano vai além disso, foragido desde janeiro do ano passado, ele é apontado como chefe do grupo de matadores de aluguel, “Escritório do Crime.

A despeito de tudo isso não foi incluído por Sérgio Moro entre os foragidos perigosos que deveriam ser procurados com prioridade pela Polícia Federal.

O que deixa claro que não interessava ao governo Bolsonaro prender Adriano.

A morte de Adriano aconteceu numa troca de tiros. Ele não foi preso. Ele foi morto.

A pergunta que se deve fazer quando alguém procurado e investigado e é morto é a quem interessa o cadáver? Quem se beneficia com a sua morte? Por que uma pessoa com tantas informações seria eliminada?

Quem matou Adriano foi o PM ou o policial civil que atirou? Essa é a pergunta que deve ser feita.

Porque troca de tiros desde sempre foi o subterfúgio utilizado por operações militares para matar “terroristas” ou pessoas que o sistema achava perigosas para o seu interesse.

Na ditadura militar, não foram poucos os que caíram em trocas de tiros. Marighella foi um deles, diga-se. E não cabe qualquer comparação com Adriano da Nobrega.

Também não cabe aqui fazer afirmações peremptórias, mas quem não suspeitar da forma como se deu a morte de Adriano da Nobrega ou é ingênuo ou é pilantra.

Os policias que participaram desta operação têm que ser investigados a fundo. É preciso varrer a vida de cada um deles, é preciso saber quem estava no comando, é preciso checar a conta bancária deles e seus familiares. E isso cabe aos governadores do Rio de Janeiro e da Bahia, já que se tratou de uma operação conjunta das policias desses estados.

O advogado de Adriano da Nobrega já fala em queima de arquivo. Ou seja, deixa claro que foi assassinato. Como eram assassinados aqueles que tombaram em troca de tiros na ditadura.

A PF não vai se meter nisso, como já não tinha se metido por ordem direta de Sérgio Moro. Cabe aos governadores essa missão democrática. Desvendar o que se esconde na troca de tiros.

Fonte: Revista Fórum

 

Salve! Pra você que chegou até aqui, nossa gratidão! Agradecemos especialmente porque sua parceria fortalece  este nosso veículo de comunicação independente, dedicado a garantir um espaço de Resistência pra quem não tem  vez nem voz neste nosso injusto mundo de diferenças e desigualdades. Você pode apoiar nosso trabalho comprando um produto na nossa Loja Xapuri  ou fazendo uma doação de qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Contamos com você! P.S. Segue nosso WhatsApp61 9 99611193, caso você queira falar conosco a qualquer hora, a qualquer dia.GRATIDÃO!

loja Xapuri camisetas

 

E-Book Por Um Mundo Sem Veneno

[button color=”red” size=”normal” alignment=”center” rel=”follow” openin=”samewindow” url=”  E-Book Por Um Mundo Sem Veneno”]COMPRE AQUI[/button]

Capa Venenos para site 300x300 px 1 1

 

COMPARTILHE:

Facebook
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

PARCERIAS

REVISTA

CONTATO

logo xapuri

posts relacionados

;