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Municípios que mais desmatam estão no Piauí, Bahia e Minas Gerais

Municípios que mais desmatam estão no Piauí, Bahia e Minas Gerais

 
Este é um ranking vergonhoso, que só pode ser lamentado. Na lista dos dez municípios brasileiros que mais desmataram a Mata Atlântica no período entre 2013 e 2014, os cinco primeiros estão localizados nos estados do Piauí e da Bahia. São eles: Eliseu Martins (PI), no topo do ranking – com 4.287 hectares de vegetação derrubada -, seguido por Baianópolis, Brejolândia e Canto do Buriti (todos na BA) e em 5º lugar, Pavussu (PI). Outros quatro municípios mineiros estão nas colocações logo abaixo: Jaíba, Araçuaí, Ponto do Volantes e Águas Vermelhas.
 
O levantamento do Atlas dos Municípios da Mata Atlântica foi divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em Brasília.

Através de imagens obtidas com satélites, o atlas fez um balanço da situação de 3.429 municípios do país, abrangidos pela Lei da Mata Atlântica (que regulamenta a conservação, proteção, regeneração e utilização do bioma e detalha ainda  como e onde pode haver intervenção ou uso sustentável da vegetação nativa). “A lei é importante para desenvolver políticas de meio ambiente localizadas, pois é uma legislação que pactua com a própria comunidade local e a sociedade, diferentemente das demais do país”, acredita Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica.
Além do levantamento ano a ano, o estudo acompanha também o índice do desmatamento na última década (2000-2014). Segundo este indicador, as cidades mineiras de Jequitinhonha e Águas Vermelhas foram as que mais desmataram neste período. A primeira perdeu nada menos que 8.700 hectares de vegetação.
 
Mas nem tudo é má notícia no documento elaborado pela SOS Mata Atlântica e o Inpe. Os mesmos Piauí e Minas Gerais, que estão entre os grandes desmatadores, aparecem também ao lado de Santa Catarina como tendo municípios que mais conservaram a Mata Atlântica. Nas primeiras três posições destacam-se Tamboril do Piauí e Guaribas (PI), ambos com 96% de vegetação natural – que inclui, além das florestas nativas, os refúgios, várzeas, campos de altitude, mangues, restingas e dunas – , e Bom Jardim da Serra (SC).
“Foram anos de trabalho para que pudéssemos consolidar uma base temática (mapa) que permite atualizações anuais consistentes. A possibilidade de o cidadão comum poder acompanhar a dinâmica da cobertura florestal do município onde reside é, sem dúvida, a materialização de uma intenção que tivemos no passado”, afirma Flávio Jorge Ponzoni, pesquisador e coordenador técnico do estudo pelo INPE.
Entre as capitais brasileiras, Porto Alegre, Florianópolis, Recife, Teresina e Rio de Janeiro foram apontadas como as que mais conservaram sua vegetação natural.
Fonte: Conexão Planeta

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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